Em entrevista à TV Record concedida no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as relações bilaterais com o governo de Donald Trump, os inquéritos da Polícia Federal envolvendo familiares e ex-auxiliares, e as negociações com o Congresso Nacional sobre a tributação de compras internacionais.
Ao abordar a relação com a gestão norte-americana, Lula avaliou que as conversas diretas com Trump transcorrem em tom civilizado e respeitoso, mas criticou a postura do escalão subordinado. “Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria”, declarou o presidente, reforçando que o país não aceitará intromissões externas.
O diálogo ocorre após um contato telefônico de 1 hora e 20 minutos na sexta-feira (21), quando o mandatário brasileiro contestou as alegações que embasaram novas tarifas contra produtos do Brasil. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, foram agendadas reuniões técnicas com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, para tratar das barreiras comerciais.
Investigações e apurações da PF
Questionado sobre os inquéritos da Polícia Federal referentes a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, e ao ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o presidente declarou não interferir nas apurações. “Ninguém está impune se cometeu erro. Portanto, esse é meu papel de presidente. Meu filho sabe que se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele”, disse Lula.
A PF investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações no Ministério da Saúde. Em relação a Santana Ribeiro, a corporação apura repasses da empresária Roberta Luchsinger; a defesa do ex-assessor declarou em nota que o montante de R$ 249 mil refere-se a um empréstimo pessoal já quitado.
Negociações sobre compras internacionais
No cenário legislativo, Lula informou que se reunirá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar da medida provisória que encerra a cobrança da alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. O texto precisa ser aprovado até 8 de setembro para não perder a vigência, com previsão de instalação da comissão mista no início do próximo mês.