Lula e Trump debatem tarifas comerciais em conversa telefônica de mais de uma hora

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fim de defender uma negociação sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. A conversa durou uma hora e vinte minutos e transcorreu em tom “amistoso e cordial”, segundo informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Durante o diálogo, Lula classificou como “infundadas” as alegações usadas pelo governo norte-americano para adotar as sobretaxas e sustentou que a continuidade das conversas representa “a melhor opção para os dois países”. Em resposta, Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que as equipes técnicas de ambas as nações voltem a se reunir o quanto antes.

O Palácio do Planalto contesta as justificativas apresentadas por Washington para a aplicação das tarifas, que envolvem questionamentos sobre desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, sistema Pix, etanol e importações ligadas a trabalho forçado. O governo brasileiro notificou as autoridades norte-americanas na semana passada sobre o início de um processo de reciprocidade.

As taxas impostas pelos EUA combinam uma alíquota adicional de 25%, específica para o Brasil, com outra de 12,5%, que abrange outros países. A tarifa de 25%, em vigor desde 22 de julho, incide sobre 15% do volume exportado pelo Brasil ao mercado norte-americano em 2025 — o equivalente a US$ 5,8 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Setores como calçados, madeira, móveis, máquinas, produtos cerâmicos e açúcar estão entre os mais impactados.

No telefonema, Lula também solicitou cooperação bilateral contra o crime organizado, mas rejeitou a equiparação de facções como o PCC e o Comando Vermelho a organizações terroristas, classificação adotada pelos EUA em maio.

O diálogo ocorre em meio a uma série de atritos e contatos diplomáticos entre os dois líderes. Após encontros em 2025 e uma reunião de três horas na Casa Branca em maio, a relação sofreu desgastes após Trump receber o senador Flávio Bolsonaro em junho e comentar o cenário político nacional, levando o presidente brasileiro a cobrar publicamente respeito à soberania eleitoral do país.

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