Em suas primeiras entrevistas como candidato à Presidência da República pelo PRTB, o empresário Pablo Marçal direcionou suas críticas e ataques a Renan Santos, candidato lançado pela Missão. A conduta sinaliza uma estratégia de polarização semelhante à adotada na eleição municipal de São Paulo em 2024, quando Marçal elegeu Guilherme Boulos (Psol) como seu principal rival.
Durante participação no podcast RedCast, Marçal fez declarações diretas sobre o adversário: “O Renan está copiando o que fiz em 2024. Sou casado, tenho quatro filhos, não devo imposto ao Estado. Tem umas coisinhas a mais que, na hora que ele vier pra cima de mim, vou soltar no peito dele. Vou explicar por que ele criou o MBL (Movimento Brasil Livre) e o que significa. No próximo debate da Band [domingo, 23], vamos descobrir”. Em outra entrevista, concedida ao podcast Inteligência Ltda., o empresário classificou Renan como “disfuncional” e declarou que o concorrente precisaria “arrumar um homem ou uma mulher”.
De acordo com a análise política de Wilson Pedroso, a escolha de Renan como antagonista visa disputar uma fatia coincidente do eleitorado que consome conteúdo nas plataformas digitais. “Os dois caras que sabem mexer com a internet, com as redes sociais, estão digladiando pela atenção dos eleitores”, avaliou Pedroso.
Segundo o analista, a movimentação também pode gerar efeitos positivos para o candidato da Missão, permitindo que ele aumente seus índices de conhecimento perante o público ao contrapor Marçal. Pedroso aponta ainda que Santos poderia se posicionar como alternativa caso ocorra uma eventual cassação do registro do empresário. “Ele pode usar, como estratégia, essa economia da atenção e diminuir uma lacuna dele que é a falta de conhecimento. Pode se tornar mais conhecido e crescer em cima do Marçal”, observou.
Situação jurídica
A busca por engajamento digital foi o elemento central que motivou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a manter a condenação e a inelegibilidade de Marçal. O processo teve origem no chamado “campeonato de cortes”, promovido em 2024, no qual colaboradores eram incentivados a produzir e divulgar vídeos curtos do candidato para amplificar seu alcance.
A decisão judicial foi fundamentada em acusações de abuso de poder econômico, captação e gastos ilícitos de recursos, além de uso indevido dos meios de comunicação. Embora tenha apresentado o pedido de registro de candidatura para a nova disputa, a continuidade da campanha de Marçal permanece condicionada à avaliação da Justiça Eleitoral sobre sua situação jurídica.