A Polícia Federal solicitou formalmente que a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, apresente de forma voluntária a prestação de contas do filme Dark Horse, obra que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pedido foi encaminhado por e-mail no dia 18 de agosto por um delegado da corporação lotado em Brasília. No ofício anexo, a PF requer a apresentação de contratos, aditivos, comprovantes de despesas, faturas, operações de câmbio (invoices) nacionais e internacionais, além da demonstração da origem dos financiamentos e recursos empregados na produção.
Karina não forneceu a documentação solicitada. A defesa jurídica, conduzida pelo advogado Ricardo Sayeg, pediu esclarecimentos à PF sobre a apuração, incluindo a portaria de instauração do inquérito policial. Em resposta ao delegado, o advogado afirmou que a medida configura uma “fishing expedition” (termo jurídico para buscas especulativas sem objeto delimitado).
Em nota oficial divulgada em 25 de agosto de 2026, a Go Up Entertainment sustentou a legalidade do projeto. A defesa declarou que um laudo de transparência contábil e financeira foi entregue às autoridades competentes em 10 de junho de 2026. Segundo o comunicado, uma perícia independente elaborada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) atestou que todos os valores foram integralmente aplicados nas etapas diretas e indiretas da produção, utilizando recursos exclusivamente privados.
O caso ganhou novos desdobramentos após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizar o compartilhamento de dados de um inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo com a PF. Anteriormente, o senador e candidato Flávio Bolsonaro já havia afirmado que a responsabilidade pela prestação de contas cabe à produtora executiva do projeto.