PoderData/Aya, BTG/Nexus, Futura e Gerp divulgaram levantamentos nesta terça-feira. Três apontam empate técnico, enquanto o quarto registra uma diferença mais ampla. A comparação mostra mudanças nas intenções de voto, rejeição elevada e a importância de compreender o que cada pesquisa realmente está medindo.
A política brasileira começou esta terça-feira (13) com uma verdadeira avalanche de pesquisas eleitorais. Em poucas horas, quatro institutos divulgaram novos levantamentos sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, oferecendo retratos diferentes de uma disputa que será decidida daqui a 12 dias. Embora todos tenham registrado percentuais numericamente superiores para o senador do PL, as diferenças encontradas variam consideravelmente, levantando uma pergunta importante: como interpretar pesquisas que chegam a conclusões tão distintas sobre o mesmo eleitorado?
Os resultados, considerando apenas os votos válidos, foram os seguintes:
| Instituto | Flávio | Lula | Diferença |
|---|---|---|---|
| PoderData/Aya | 51% | 49% | 2 pontos |
| BTG/Nexus | 52% | 48% | 4 pontos |
| Futura/100% Cidades | 51,8% | 48,2% | 3,6 pontos |
| Gerp | 55% | 45% | 10 pontos |
A primeira constatação é que três levantamentos apresentam diferenças dentro das respectivas margens de erro, classificadas pelos institutos como empate técnico. A exceção é o Gerp, que registrou dez pontos percentuais entre os candidatos, uma distância superior à margem de erro de dois pontos informada pela empresa.
Mas talvez o dado mais interessante não esteja na fotografia apresentada por cada pesquisa isoladamente. Está na comparação com o que havia sido medido alguns dias antes.
O PoderData/Aya oferece o exemplo mais claro. Em 8 de outubro, Flávio aparecia com 53% dos votos válidos e Lula com 47%, uma diferença de seis pontos. No levantamento divulgado hoje, realizado entre os dias 10 e 12, os percentuais passaram para 51% e 49%, respectivamente.
Em cinco dias, a distância observada diminuiu quatro pontos percentuais. É uma oscilação que merece acompanhamento, embora a margem de erro de 1,8 ponto percentual impeça afirmar, apenas com essas duas medições, que ocorreu uma transferência efetiva de votos na mesma proporção.
A pesquisa BTG/Nexus apresenta outro retrato. Realizada também entre 10 e 12 de outubro, ouviu 2.002 brasileiros e registrou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Considerando todos os entrevistados, inclusive os que não escolheram candidato, os percentuais foram de 48% e 45%, com 5% de votos brancos ou nulos e 2% de indecisos.
Já a Futura Inteligência, contratada pela 100% Cidades, encontrou 51,8% para Flávio e 48,2% para Lula entre os votos válidos. O instituto ouviu 2 mil eleitores entre 7 e 10 de outubro. Na modalidade espontânea, quando os pesquisadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, os percentuais foram de 47,7% e 46,1%.
O Gerp apresentou a maior diferença desta rodada. Com 2.400 entrevistas realizadas nos dias 8, 9 e 12 de outubro, registrou 55% dos votos válidos para Flávio e 45% para Lula.
A distância entre os resultados exige uma explicação importante. Pesquisas não funcionam como uma contagem antecipada dos votos. Cada levantamento utiliza uma amostra da população, procedimentos próprios de seleção e ponderação, períodos de entrevistas e técnicas estatísticas que podem produzir estimativas diferentes.
Por isso, não seria correto simplesmente somar as 9.402 entrevistas realizadas pelos quatro institutos e tratá-las como uma única grande pesquisa nacional. Para construir um agregador estatístico seria necessário estabelecer critérios de ponderação, considerar diferenças metodológicas, possíveis efeitos de cada instituto e o intervalo em que as entrevistas foram realizadas.
A rejeição continua sendo uma das questões centrais do segundo turno.
O BTG/Nexus mostrou que 51% dos entrevistados afirmam não votar em Lula de maneira alguma, enquanto 47% disseram o mesmo sobre Flávio. O Gerp registrou rejeição de 53% ao presidente e 42% ao senador. No PoderData/Aya, os percentuais foram de 46% e 44%, respectivamente.
As diferenças também refletem características próprias de cada pesquisa e de suas perguntas, mas demonstram que uma parcela expressiva do eleitorado manifesta resistência aos candidatos.
A Futura acrescentou outra informação interessante: 24,6% dos entrevistados disseram estar divididos ou cansados da polarização política. Esse grupo não deve ser confundido automaticamente com eleitores indecisos, mas sua existência demonstra que nem todos os brasileiros vivenciam a disputa entre petismo e bolsonarismo com o mesmo grau de identificação.
Os levantamentos chegam depois de uma semana intensa. Flávio anunciou apoios de antigos adversários e governadores, enquanto Lula reorganizou sua comunicação e retomou as mobilizações públicas, incluindo a manifestação de domingo na Avenida Paulista. A propaganda eleitoral também voltou à televisão, e as campanhas intensificaram suas disputas na Justiça Eleitoral.
Entretanto, seria precipitado atribuir as oscilações observadas a qualquer um desses acontecimentos. Para estabelecer essa relação, seriam necessários dados específicos sobre mudanças individuais de preferência ou levantamentos capazes de identificar as razões declaradas pelos próprios eleitores.
Outro elemento merece atenção: a proximidade entre o resultado do primeiro turno e os percentuais atuais não significa que o comparecimento às urnas será idêntico. Em 4 de outubro, a abstenção chegou a 21,08%, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. O comportamento desse contingente no segundo turno continua sendo uma variável que as pesquisas de intenção de voto não conseguem determinar com certeza.
A divulgação simultânea dos quatro estudos oferece, portanto, uma oportunidade para compreender o cenário eleitoral sem transformar cada novo percentual em uma conclusão definitiva.
O PoderData registra uma aproximação entre os candidatos em relação à sua rodada anterior. BTG/Nexus e Futura apresentam diferenças de poucos pontos percentuais, enquanto o Gerp encontra uma distância mais ampla. São resultados que precisam ser acompanhados nas próximas medições para verificar se as divergências persistem.
Nesta quarta-feira (14), está prevista uma nova pesquisa nacional da Quaest. Na quinta (15), será a vez de Datafolha e Palver, ampliando o conjunto de informações disponíveis sobre o eleitorado.
O que os quatro levantamentos desta terça-feira mostram é que existem diferentes estimativas sobre a distribuição das intenções de voto neste momento. Algumas estão muito próximas entre si, enquanto outra aponta um cenário distinto.
Faltando 12 dias para a eleição, o trabalho mais importante não é escolher a pesquisa que confirma uma expectativa política, mas compreender as diferenças entre os estudos e observar como os números evoluem.
Porque uma pesquisa registra o que os entrevistados dizem hoje. O resultado da eleição dependerá dos votos efetivamente depositados nas urnas em 25 de outubro.