Os Estados Unidos aceitaram formalmente discutir na Organização Mundial do Comércio (OMC) as sobretaxas impostas aos produtos do Brasil. A resposta do governo norte-americano foi enviada ao órgão internacional confirmando a disposição para realizar consultas com a diplomacia brasileira.
O Brasil havia acionado a OMC no final de julho contra duas tarifas aplicadas pelos norte-americanos: uma de 25%, justificada por supostas práticas comerciais injustas, e outra de 12,5%, motivada por alegações de falhas no combate ao trabalho forçado. A representação brasileira argumenta que as medidas violam normas da OMC, possuem caráter discriminatório e motivação política, desconsiderando critérios técnicos.
A solicitação de consulta abre um prazo de 60 dias para negociação direta entre os dois países. O mecanismo também permite a adesão de outras nações afetadas por barreiras semelhantes, caso da China, que formalizou ingresso no processo por ter suas exportações impactadas pelas restrições dos Estados Unidos.
Apesar de a diplomacia brasileira classificar o procedimento como prioritariamente simbólico, o Palácio do Planalto avaliou o aceite norte-americano como um passo positivo, considerando que a solicitação poderia ter sido ignorada.
Segundo Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, a aceitação dos Estados Unidos e o posicionamento da China sinalizam abertura para negociações. “São dois pequenos passos positivos. Caminho longo, mas mostra que existe aí um potencial para ter conversas produtivas ao longo das próximas semanas e meses. É preciso se preparar para um cenário de incerteza permanente. Mesmo depois de um acordo, pode haver novas mudanças. A relação comercial com os Estados Unidos, é, será conturbada enquanto Trump for o presidente dos Estados Unidos”, declarou o analista.