A presença de manifestações de raiva nos pronunciamentos realizados no plenário do Congresso dos Estados Unidos atingiu, em 2025, o maior patamar em aproximadamente 150 anos. A conclusão integra o levantamento intitulado “A ascensão da Raiva: Emoção e visões políticas”, divulgado pelo Laboratório de Economia Social da Universidade Harvard.
O estudo avaliou registros da atividade parlamentar norte-americana desde a década de 1870, além de milhões de publicações em plataformas digitais. Segundo os pesquisadores, a comunicação política nos Estados Unidos enfrentou uma acentuada escalada de hostilidade ao longo da última década.
De acordo com os dados apresentados, a proporção de frases que expressam raiva entre eleitores que comentam política na rede social X aumentou 35% entre 2013 e 2025. No mesmo intervalo, o crescimento desse sentimento nas contas de integrantes do Congresso foi de 72%, enquanto nos discursos em plenário o avanço registrado alcançou 50%.
Os analistas apontam que a mudança comportamental não ocorreu primordialmente pela entrada de novos perfis agressivos, mas porque os mesmos indivíduos passaram a publicar de maneira mais enfurecida com o passar dos anos, inclusive ao abordarem temas similares. Constatou-se ainda que mensagens raivosas geram cerca de 60% mais republicações em comparação com conteúdos sem carga emocional identificada.
No meio parlamentar, a intensidade da irritação oscila conforme o controle governamental: legendas derrotadas na disputa pela Casa Branca tendem a elevar o tom e a permanecer mais agressivas enquanto ocupam a oposição. Já entre os votantes, a elevação da raiva atinge os dois maiores partidos e não recua com alternâncias na Presidência.
Para a classificação das mensagens, a pesquisa utilizou ferramentas de inteligência artificial treinadas para detectar oito emoções, abrangendo raiva, medo, alegria, esperança, orgulho e gratidão. Experimentos conduzidos pela equipe indicaram que sentimentos negativos ampliam a adesão a pautas como protecionismo econômico, barreiras migratórias e redistribuição de renda, ao passo que sentimentos positivos diminuem o suporte a correntes populistas. O aumento da hostilidade foi constatado de forma transversal em variadas faixas de idade, escolaridade, gênero e regiões do país.