O empresário João Amoêdo, um dos fundadores do partido Novo, publicou críticas à própria sigla após a participação de Romeu Zema em sabatina na TV Globo. Em manifestação divulgada na rede social X, o ex-candidato presidencial declarou que a agremiação ficou “tão ruim que hoje não aparecer é a melhor coisa que pode acontecer ao partido”.
A entrevista de Zema reuniu episódios de correções ao vivo. Ao abordar propostas voltadas ao combate ao feminicídio, o candidato afirmou ter “uma série de programas contra as mulheres”, corrigindo em seguida que se referia a ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Durante a sabatina, Zema também declarou que uma participante dos atos de 8 de janeiro havia sido condenada a 14 anos apenas por danificar um monumento, momento em que a jornalista Renata Vasconcellos pontuou que a condenação abrangeu sete crimes.
As declarações de Amoêdo dão continuidade a divergências públicas anteriores. Em maio, o empresário havia acusado Zema de manter a legenda alinhada ao bolsonarismo. Amoêdo participou da criação do Novo em 2011, financiou a estrutura inicial, presidiu a agremiação e concorreu à Presidência da República em 2018.
O distanciamento entre o fundador e a cúpula partidária intensificou-se durante o governo de Jair Bolsonaro e culminou no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Na ocasião, após o partido decretar neutralidade e liberar os filiados, Amoêdo declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva por avaliar a reeleição de Bolsonaro como risco institucional.
A posição gerou reação interna e abertura de processo disciplinar. A Comissão de Ética do Novo aprovou a suspensão de sua filiação por quatro votos a três. Antes da conclusão do procedimento, Amoêdo formalizou sua desfiliação em novembro de 2022, declarando que o projeto partidário original havia se descaracterizado e criticando a atuação do colegiado interno.