Real Time Big Data: Lula lidera 1º turno, empata com Flávio no 2º e Caiado aparece numericamente à frente

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Levantamento divulgado nesta terça-feira (1º) mostra Lula com 38% no primeiro turno, Augusto Cury consolidado na terceira posição e uma disputa muito mais apertada quando a eleição é projetada para o segundo turno. Pesquisa está registrada sob o número BR-03490/2026.

A nova pesquisa nacional da Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, desenha uma eleição presidencial com duas fotografias bastante diferentes. No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem relativamente confortável sobre Flávio Bolsonaro (PL). Quando a disputa é reduzida a dois nomes, porém, a distância desaparece — e, em um dos confrontos testados, Ronaldo Caiado (PSD) chega a aparecer numericamente à frente do petista.

O levantamento ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 27 e 31 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As entrevistas foram realizadas por telefone, com entrevistadores humanos. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03490/2026.

Lula abre nove pontos no primeiro cenário

No primeiro cenário estimulado, que inclui Pablo Marçal (PRTB), Lula aparece com 38%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois é de nove pontos percentuais.

Na sequência aparece o escritor Augusto Cury (Avante), com 10%, já em um patamar isolado na terceira colocação. Renan Santos (Missão) registra 6%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, Pablo Marçal, 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%. Outros candidatos somam 2%, enquanto brancos e nulos representam 3% e outros 3% não sabem ou não responderam.

Sem Pablo Marçal na lista, a configuração praticamente não se altera. Lula permanece com 38%, Flávio Bolsonaro sobe para 30%, Cury chega a 11%, Renan Santos vai a 7%, Caiado continua com 4% e Zema registra 2%.

O dado é importante porque mostra que, ao menos neste momento, a retirada de Marçal não provoca uma transferência expressiva para Flávio Bolsonaro. O candidato do PL ganha apenas um ponto. Cury e Renan também avançam um ponto cada.

A eleição, portanto, ainda se organiza em três faixas bastante claras: Lula liderando, Flávio Bolsonaro ocupando sozinho o segundo posto e um segundo pelotão no qual Augusto Cury começa a se destacar dos demais.

Cury passa a ser um personagem importante da disputa

Os números de Augusto Cury merecem atenção especial. Não apenas porque o escritor aparece com dois dígitos nos cenários estimulados, mas porque seu potencial de crescimento é consideravelmente maior do que seu voto atual.

Na chamada pesquisa de “votabilidade”, 6% afirmam que votariam com certeza em Cury e 41% dizem que poderiam votar nele. Outros 24% afirmam conhecê-lo e não votar nele, enquanto 29% ainda dizem não conhecê-lo o suficiente para opinar.

É um desenho muito diferente do encontrado entre os dois líderes.

No caso de Lula, 30% dizem votar com certeza e outros 19% admitem que poderiam votar, mas 50% afirmam conhecê-lo e não votar nele. Flávio Bolsonaro apresenta estrutura semelhante: 20% de voto certo, 24% de voto potencial e também 50% de rejeição nessa pergunta.

Cury, portanto, tem uma base consolidada muito menor, mas encontra um eleitorado mais aberto à sua candidatura. Seu desafio está justamente em transformar possibilidade em intenção efetiva de voto.

Curiosamente, embora seja o terceiro colocado nos dois cenários de primeiro turno, a pesquisa não apresenta uma simulação de segundo turno entre Lula e Augusto Cury. Os confrontos apresentados pelo instituto testam o petista contra Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Renan Santos e Pablo Marçal.

Lula e Flávio chegam ao empate absoluto

É no segundo turno que o quadro eleitoral muda de temperatura.

Em um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento registra 44% para cada um. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.

Mais do que um empate pontual, a série histórica da própria Real Time Big Data mostra uma aproximação recente de Flávio.

Em março, Lula tinha 42% e Flávio 41%. Em maio, Flávio chegou a 44%, contra 43% do petista. Em junho, Lula abriu 45% a 40%; em julho, a diferença caiu para 45% a 42%. Agora, em setembro, os dois aparecem empatados em 44%.

O movimento sugere que a vantagem de Lula observada no primeiro turno não pode ser automaticamente transportada para uma eventual etapa final da eleição. Com a concentração dos votos, a polarização volta a produzir uma divisão praticamente ao meio do eleitorado.

Caiado é o único testado que aparece numericamente à frente de Lula

O resultado mais surpreendente da pesquisa está no confronto entre Lula e Ronaldo Caiado.

Apesar de aparecer com apenas 4% no primeiro turno, o governador de Goiás alcança 45% em uma eventual disputa direta contra o presidente, enquanto Lula registra 43%. Brancos e nulos são 8%, e 4% não sabem ou não responderam.

A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro e, portanto, configura empate técnico. Ainda assim, Caiado é o único adversário apresentado pelo levantamento que aparece numericamente acima de Lula no segundo turno.

O fenômeno expõe uma diferença essencial entre intenção de voto e capacidade de agregação. Caiado ainda encontra dificuldade para se tornar a escolha inicial do eleitor, mas demonstra potencial para absorver votos de diferentes candidaturas quando colocado diretamente contra Lula.

A própria pesquisa de votabilidade ajuda a entender esse movimento: apenas 2% dizem votar com certeza em Caiado, mas 43% afirmam que poderiam votar nele. Outros 39% dizem conhecê-lo e não votar, enquanto 16% não o conhecem suficientemente.

Lula vence Zema, Renan e Marçal, mas nenhuma vantagem é larga

Contra Romeu Zema, Lula aparece com 43% a 40%. São 10% de votos brancos ou nulos e 7% de indecisos. Como a diferença é de três pontos e a margem é de dois pontos para cada lado, o cenário também deve ser lido como tecnicamente apertado.

A vantagem aumenta diante de Renan Santos: 44% a 37%, com 12% de brancos e nulos e 7% de indecisos.

Contra Pablo Marçal, Lula registra 44% contra 40%, enquanto 10% votariam branco ou nulo e 6% não sabem ou não responderam.

A mensagem geral dos cenários é clara: Lula parte de uma posição forte para chegar ao segundo turno, mas encontra muito mais dificuldade para vencê-lo.

País eleitoral continua dividido por região, renda, gênero e religião

A pesquisa também revela que a vantagem nacional de Lula esconde Brasis eleitorais bastante diferentes.

No cenário sem Marçal, o Nordeste continua sendo a grande fortaleza lulista: Lula registra 56% contra 21% de Flávio Bolsonaro. No Sul ocorre o movimento inverso, com Flávio marcando 39% contra 27% de Lula. No Norte há empate em 37%, enquanto no Centro-Oeste Flávio aparece com 35% e Lula com 32%. No Sudeste, a disputa também é apertada: 31% para Flávio e 30% para Lula.

A renda produz outra divisão expressiva. Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula chega a 48%, contra 26% de Flávio no cenário sem Marçal. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a situação se inverte: Flávio alcança 31%, enquanto Lula tem 25%.

Também há uma diferença significativa entre homens e mulheres. Sem Marçal, Flávio lidera entre os homens por 37% a 34%, enquanto Lula abre uma vantagem muito maior entre as mulheres: 42% a 23%.

A religião repete uma clivagem já conhecida da política brasileira. Entre católicos, Lula registra 42% e Flávio, 25%. Entre evangélicos, Flávio alcança 42%, contra 29% de Lula.

Mais do que diferenças estatísticas, esses números ajudam a explicar a própria estratégia que deve marcar a reta final: Lula precisa preservar sua vantagem entre mulheres, eleitores de menor renda e no Nordeste, ao mesmo tempo em que Flávio depende de ampliar sua força entre homens, evangélicos e nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Rejeição limita Lula e Flávio — e abre espaço para alternativas

Outro resultado ajuda a compreender por que o segundo turno fica tão apertado. Na pergunta de rejeição múltipla, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados como os nomes mais rejeitados: 50% afirmam que não votariam em cada um deles.

Pablo Marçal vem logo depois, com 46%. Caiado e Renan Santos registram 39%, Zema 36% e Augusto Cury 28%.

Esse talvez seja um dos dados estruturalmente mais importantes da pesquisa. Lula e Flávio possuem as maiores bases eleitorais, mas também enfrentam os tetos mais evidentes. Já nomes como Cury carregam menos voto consolidado, porém rejeições menores e parcelas relevantes do eleitorado que ainda podem ser conquistadas.

É exatamente esse contraste que explica como Caiado pode ter apenas 4% no primeiro turno e chegar a 45% contra Lula no segundo.

Lula lidera mesmo com governo mais desaprovado que aprovado

Há ainda uma aparente contradição no levantamento. Lula lidera todos os cenários de primeiro turno mesmo com a avaliação de seu governo no campo negativo.

Segundo a Real Time Big Data, 51% desaprovam o governo e 45% aprovam, enquanto 4% não sabem ou não responderam. Na avaliação do trabalho presidencial, 15% consideram ótimo, 12% bom, 33% regular, 16% ruim e 23% péssimo.

Isso indica que a eleição ainda não funciona simplesmente como um plebiscito sobre o governo. A rejeição aos adversários, a memória eleitoral dos candidatos e a dificuldade de consolidação das alternativas permitem que Lula mantenha uma posição competitiva mesmo diante de um ambiente de avaliação governamental desfavorável.

E a polarização segue pesando. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, por exemplo, 33% apontam como razão de seu voto o apoio de uma liderança política em quem confiam, enquanto 25% dizem votar nele pela rejeição aos adversários.

Segurança pública domina as preocupações do eleitor

O pano de fundo da eleição também aparece de forma bastante definida. Quando os entrevistados puderam escolher três assuntos que mais pesarão na decisão para presidente, segurança pública liderou com 47%, seguida por saúde, com 42%, e inflação/custo de vida, com 38%. Corrupção e impostos aparecem com 23% cada.

Quando obrigados a indicar apenas o tema mais importante, segurança novamente fica em primeiro, com 25%, seguida por inflação/custo de vida, com 16%, e saúde, com 15%.

A campanha presidencial entra, assim, em setembro com uma contradição central. Lula é hoje o candidato mais forte para chegar ao segundo turno, mas não necessariamente o mais confortável para vencê-lo. Flávio Bolsonaro continua sendo seu principal adversário no primeiro turno, mas Caiado demonstra a maior capacidade de enfrentamento direto entre os nomes testados. E Augusto Cury, já na casa dos dois dígitos, surge como o candidato com maior potencial para alterar a composição atual da corrida caso consiga transformar sua ampla votabilidade em voto efetivo.

A fotografia da Real Time Big Data mostra, portanto, uma eleição ainda liderada por Lula — mas longe de estar decidida.

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