Em sabatina realizada pela CNN Brasil nesta quarta-feira (2), o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu a exigência de idade mínima de 60 anos para nomeações ao Supremo Tribunal Federal (STF), posicionou-se contra o uso de câmeras operacionais em uniformes policiais e criticou a discussão sobre o fim da escala 6×1 durante o calendário eleitoral.
Durante a entrevista, Caiado afirmou que a indicação ao Supremo deve contemplar nomes com histórico consolidado na área jurídica e defendeu que candidatos ao tribunal passem por escrutínio aprofundado por órgãos de fiscalização do Estado. Ao comentar a decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo sobre relatórios da Polícia Federal contendo mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, Caiado sustentou que Moraes deveria deixar a Corte.
“Não vejo como ele permanecer no STF. Isso seria desrespeito completo com a sociedade brasileira. Como que a pessoa que está no cargo do órgão maior do pais, que tem função de ser guardião da Constituição e interpretar demandas que são feitas e estar com tudo isso que o Brasil assistiu? É inaceitável, é inadmissível”, declarou o candidato.
Ao abordar a segurança pública, o ex-governador de Goiás contestou o uso de equipamentos de gravação por agentes em confrontos urbanos. O tema surgiu ao ser indagado a respeito de uma operação conjunta das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, que contabilizou 121 mortes. Caiado classificou essas incursões como operações em “campo de guerra”, argumentando que a assimetria bélica desfavorece o efetivo policial. Declarou ainda que tem como modelo ideal a atuação da polícia de Londres, com emprego restrito de apito e cacetete.
Em relação à pauta trabalhista, Caiado reiterou apoio à escala 5×2 e qualificou o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 como oportuno, mas desapropriado para um momento de disputa política. Segundo sua avaliação, a tramitação do assunto ganhou força devido a desgastes políticos do governo federal decorrentes da crise envolvendo o STF. Caiado acrescentou que o Parlamento deve ponderar o impacto financeiro da medida sobre micro e pequenas empresas, responsáveis pela maior fatia do emprego formal.
A sabatina de Caiado abriu o ciclo de entrevistas da emissora com postulantes ao Palácio do Planalto, conduzido por Márcio Gomes e Edilene Lopes. A rodada tem previstas entrevistas com Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ainda não confirmaram presença.