Levantamento realizado pelo portal g1 com base nas diretrizes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL) reúnem o maior volume de iniciativas específicas voltadas ao Nordeste entre os concorrentes ao Palácio do Planalto. Cada um desses candidatos reserva capítulos próprios e de três a cinco páginas de seus programas para a região, o Semiárido ou políticas de desenvolvimento regional.
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclui seis medidas direcionadas ao Nordeste distribuídas em quatro páginas, integradas tanto ao capítulo de desenvolvimento regional quanto a eixos nacionais de infraestrutura, conectividade e segurança hídrica. Outros postulantes, como Samara Martins (UP), Pablo Marçal (PRTB) e Clariana Barão (DC), apresentam diretrizes mais pontuais ou referências genéricas ao equilíbrio regional. Edmilson Costa (PCB) cita apenas “regiões menos assistidas”.
Entre os nomes que pontuam nas pesquisas eleitorais, Romeu Zema (Novo) não faz referências nominais ao Nordeste, limitando a menção a desenvolvimento regional ao setor cultural. Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata) também não incluem a região em seus textos. Em resposta à reportagem, o PCO informou que sua plataforma tem aplicação integral a todo o território nacional, sem tratar a localidade de maneira isolada.
Infraestrutura e tecnologia
A atração de data centers associada ao potencial de geração de energia solar e eólica do Nordeste integra as propostas de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro. Caiado vincula a vinda de empreendimentos eficientes à ampliação da matriz renovável e à industrialização. Flávio Bolsonaro projeta transformar a região em polo tecnológico com tarifas competitivas de eletricidade limpa. Já Renan Santos defende tornar o país polo de exportação de capacidade computacional com foco em território nordestino. Lula também aborda data centers em seu programa, mas vincula o tema à estratégia nacional de economia digital, sem recorte geográfico exclusivo.
Segundo a economista e socióloga Tânia Bacelar, o Semiárido demanda transformação em sua base produtiva e ações para conter a desertificação, além do aproveitamento do mercado de carbono. Para o cientista político Arthur Leandro, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a priorização da área nos planos reflete peso estratégico e apelo eleitoral, embora ressalte que o volume de páginas não garanta, por si só, viabilidade de execução ou capacidade de financiamento.