Em entrevista à CNN, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou ter se arrependido de apoiar a indicação de Alexandre de Moraes para integrar a Corte. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master.
Segundo Marco Aurélio, a situação envolve fatos que exigem atenção. “Os fatos que vieram à balha são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavasck, […] eu disse que o presidente Temer tinha um homem talhado para o cargo: professor universitário, membro do Ministério Público, secretário de segurança do prefeito Kassab, secretário de governo do governador Geraldo Alckmin, ministro da justiça. […] Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou Mello. O magistrado aposentado declarou ainda que o ministro “vem errando a mão e isso é muito ruim”.
Os diálogos entre Vorcaro e Moraes constam em um relatório da Polícia Federal (PF), cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça. Moraes acusou Mendonça de atuar fora do regimento jurídico. Em contrapartida, Marco Aurélio Mello defendeu a conduta do colega: “Eu penso que está havendo uma inversão de valores. O ministro André Mendonça se defrontou com um relatório da PF (Polícia Federal) e procedeu como deveria, encaminhando à PGR (Procuradoria-Geral da República)”.
De acordo com o documento da PF, os encontros entre o magistrado e o empresário foram mapeados entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. O primeiro contato foi intermediado em 2023 pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Os registros indicam a realização de jantares e reuniões ao longo do período.
Até o momento da publicação original, Alexandre de Moraes não havia se pronunciado de forma oficial a respeito das citações. Por sua vez, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou parecer solicitando a nulidade do relatório policial, sustentando a ausência de provocação do Ministério Público e apontando irregularidades no tratamento de dados envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.