Pesquisa divulgada nesta terça-feira registra Lula com 49% e Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos. Em 8 de outubro, os percentuais eram de 47% e 53%. Os dois aparecem agora em empate técnico, enquanto os índices de rejeição permanecem praticamente inalterados.
A primeira semana completa do segundo turno presidencial terminou com uma mudança nos números da pesquisa PoderData/Aya. O levantamento divulgado nesta terça-feira (13) mostra Lula com 49% das intenções de voto válidas e Flávio Bolsonaro com 51%. Cinco dias antes, na pesquisa publicada em 8 de outubro, o presidente registrava 47%, enquanto o senador aparecia com 53%. A distância entre os dois passou de seis para dois pontos percentuais, colocando a disputa em situação de empate técnico dentro da margem de erro.
O movimento chama atenção pelo intervalo relativamente curto entre as duas medições. A pesquisa anterior havia sido realizada de 5 a 7 de outubro, imediatamente depois do primeiro turno. A nova rodada ouviu eleitores entre os dias 10 e 12, período em que a campanha eleitoral já havia retornado à televisão, os candidatos intensificaram seus compromissos públicos e novas alianças partidárias passaram a ocupar o noticiário nacional.
Os números mostram uma oscilação de dois pontos percentuais para cada candidato: Lula passou de 47% para 49%, enquanto Flávio foi de 53% para 51%. Como os percentuais apresentados são de votos válidos, excluem as respostas de voto branco, nulo e indecisão.
A margem de erro informada pelo instituto é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Isso significa que a diferença observada no levantamento não permite estabelecer uma separação estatisticamente conclusiva entre as intenções de voto dos candidatos.
O dado também exige cuidado na interpretação da evolução. Uma mudança entre duas pesquisas pode refletir alterações reais nas preferências do eleitorado, variações próprias da amostragem ou uma combinação desses fatores. Para identificar uma tendência consistente, será necessário observar outras rodadas e, quando disponíveis, informações sobre a significância estatística das oscilações.
Ainda assim, a comparação revela que a fotografia eleitoral produzida pelo mesmo instituto já não é idêntica àquela registrada logo depois do primeiro turno.
A nova rodada também revela que a oscilação nas intenções de voto não foi acompanhada por uma transformação equivalente nos índices de rejeição. Lula permaneceu com 46% de eleitores que afirmam não votar nele de maneira alguma. Flávio passou de 43% para 44%, uma variação de apenas um ponto percentual e dentro da margem de erro.
Esse é um aspecto importante da pesquisa. Embora os percentuais de intenção de voto tenham mudado, a resistência declarada aos candidatos continua praticamente no mesmo patamar. O levantamento também mostra que 42% dos entrevistados consideram Lula sua única opção de voto, enquanto outros 8% admitem escolhê-lo. No caso de Flávio, 44% o apontam como única opção e 7% afirmam que poderiam votar nele.
Os números indicam que as preferências eleitorais ainda precisam ser examinadas junto às possibilidades de mudança de voto, à rejeição e ao comparecimento às urnas. Nenhuma dessas medidas, isoladamente, permite antecipar o resultado de 25 de outubro.
A avaliação do governo também aparece como elemento relevante. Segundo o PoderData/Aya, 50% dos entrevistados desaprovam o trabalho de Lula, 44% aprovam e 6% não souberam responder. A desaprovação do governo e a rejeição eleitoral, entretanto, medem questões diferentes: uma pessoa pode avaliar negativamente a administração federal e ainda declarar voto no presidente, assim como pode aprová-la e preferir outro candidato.
A mudança registrada entre as duas pesquisas ocorreu durante uma semana de intensa atividade política. Lula promoveu alterações em sua comunicação, participou de manifestações e retomou a agenda de campanha. Flávio anunciou apoios de lideranças partidárias e ampliou compromissos públicos. Esses acontecimentos ajudam a contextualizar o período pesquisado, mas não é possível atribuir a qualquer iniciativa específica a oscilação observada, sem dados adicionais que demonstrem essa relação.
O PoderData ouviu 3 mil pessoas em 686 municípios, por telefone, entre 10 e 12 de outubro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01209/2026. A rodada anterior, realizada de 5 a 7 de outubro, também entrevistou 3 mil pessoas, em 705 municípios, com registro BR-08134/2026.
A comparação entre os dois levantamentos oferece uma informação concreta: os percentuais de intenção de voto registrados pelo mesmo instituto mudaram em cinco dias, enquanto os indicadores de rejeição permaneceram relativamente estáveis.
Com menos de duas semanas até a votação, novas pesquisas permitirão observar se essa oscilação se mantém ou se os números voltam a variar. Por enquanto, o levantamento desta terça-feira registra uma disputa estatisticamente empatada e um eleitorado no qual coexistem preferências consolidadas, resistência aos candidatos e possibilidades de mudança.
O que a pesquisa mostra é a situação declarada pelos entrevistados entre 10 e 12 de outubro. O que ela não mostra, e nenhuma fotografia isolada consegue demonstrar, é como essas preferências estarão distribuídas no momento em que os brasileiros voltarem às urnas.