Em entrevista a Renata Lo Prete, candidato do PL apresentou propostas econômicas, defendeu mudanças no STF e respondeu sobre financiamento milionário de filme sobre Jair Bolsonaro. Senador também comentou prisão de aliados e garantiu que respeitará o resultado das urnas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou nesta sexta-feira (16) de uma entrevista à TV Globo marcada por cobranças sobre suas propostas econômicas, a relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o papel de sua família em um eventual governo. Diante da jornalista Renata Lo Prete, o candidato à Presidência prometeu manter o fim da escala de trabalho 6×1, afirmou que pretende governar por apenas um mandato e garantiu que respeitará o resultado das eleições.
A sabatina ocorreu nove dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e foi realizada um dia depois da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na mesma série de entrevistas.
Um dos principais momentos envolveu a economia. Questionado sobre propostas atribuídas à sua equipe, Flávio negou que pretenda acabar com a política de valorização do salário mínimo, desvincular aposentadorias dos reajustes salariais ou eliminar os pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação.
O senador acusou Lula de divulgar informações falsas sobre seu programa de governo e afirmou que pretende reduzir despesas por meio de uma reforma administrativa, incluindo a extinção de pelo menos dez dos atuais 39 ministérios.
Flávio também apresentou uma proposta de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, que incluiria a antecipação de receitas por meio da securitização de créditos que a União tem a receber. A entrevista, entretanto, não trouxe detalhamento suficiente para demonstrar como os valores seriam efetivamente alcançados.
Outro assunto que ganhou destaque foi a mudança de posicionamento sobre a escala 6×1. Flávio havia criticado a proposta de redução da jornada de trabalho, mas votou favoravelmente à medida aprovada pelo Congresso.
Durante a entrevista, explicou que decidiu acompanhar a posição da maioria dos trabalhadores que encontrou durante a campanha. Questionado sobre uma eventual tentativa de modificar a legislação, afirmou que respeitará a decisão parlamentar e não trabalhará para revertê-la.
A discussão ganhou importância porque setores de seu partido defendem modalidades de contratação mais flexíveis, incluindo remuneração proporcional às horas trabalhadas. O candidato, porém, sustentou que essas propostas não representam o fim das garantias trabalhistas.
A relação com Daniel Vorcaro também ocupou parte significativa da sabatina. Renata Lo Prete questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões solicitados ao empresário para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O senador confirmou a negociação, mas afirmou que o contrato não foi integralmente cumprido. Segundo ele, a produção foi concluída com recursos repassados por Vorcaro e outros investidores, sem qualquer contrapartida política.
Flávio também declarou que a produtora havia prestado contas do projeto. A afirmação foi contestada posteriormente por verificações jornalísticas, que apontaram a ausência de uma prestação de contas pública completa sobre o financiamento. A Polícia Federal investiga a origem e a movimentação de parte dos recursos.
O candidato aproveitou o questionamento para mencionar relações comerciais entre o Banco Master e empresas do Grupo Globo, incluindo o caso de Frederic Kachar, executivo demitido após a divulgação de conversas com Vorcaro. A entrevistadora rebateu a comparação, diferenciando contratos publicitários de decisões editoriais.
No campo institucional, Flávio voltou a defender mudanças no Supremo Tribunal Federal. Criticou o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que magistrados devem responder por eventuais irregularidades. Ao ser questionado sobre suspeitas envolvendo Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai, declarou que a legislação deve valer igualmente para todos.
O senador também foi confrontado com investigações envolvendo aliados políticos no Rio de Janeiro, entre eles Márcio Canella e Rodrigo Bacellar. Disse ter ficado surpreso com as acusações e afirmou que eventuais crimes devem ser punidos, independentemente de vínculos políticos.
Sobre a participação da família em um eventual governo, Flávio declarou que Jair Bolsonaro nunca solicitou um cargo e que sua nomeação não está nos planos atuais. Também descartou indicar o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores.
Outra promessa foi a apresentação de uma proposta para acabar com a reeleição presidencial. Flávio afirmou que não pretende disputar um segundo mandato, mesmo que a mudança constitucional não seja aprovada pelo Congresso.
A entrevista também abordou os ataques de 8 de janeiro de 2023. O candidato condenou a depredação de prédios públicos e as agressões a policiais, mas voltou a questionar a caracterização dos acontecimentos como tentativa de golpe de Estado, apesar das condenações estabelecidas pelo STF.
Ao final, questionado diretamente sobre uma eventual derrota nas urnas, Flávio garantiu que aceitará o resultado eleitoral.
A sabatina reuniu compromissos sobre temas centrais de sua candidatura, mas também deixou questões pendentes, especialmente sobre a execução do ajuste fiscal e a documentação dos recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro.
Flávio e Lula devem participar de um debate na Band neste domingo (18), quando terão a oportunidade de confrontar diretamente suas propostas antes da votação do segundo turno.