Renan Santos dispara contra Pavanato e Campopiano, critica política de TikTok e expõe projetos de “copia e cola”

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Presidente do Partido Missão acusa parlamentares do PL de priorizar vídeos e confrontos ideológicos em vez de trabalho legislativo. Levantamentos revelam projetos com textos reproduzidos de outros municípios e campanhas milionárias nas redes sociais.

O presidente do Partido Missão e ex-candidato à Presidência, Renan Santos, abriu uma nova frente de confronto com o bolsonarismo ao questionar a atuação de Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, dois dos candidatos mais votados de São Paulo nas eleições de 2026. Em vídeo divulgado na quarta-feira (14), Renan acusou políticos do PL de transformar disputas ideológicas em entretenimento digital, enquanto, segundo ele, deixam em segundo plano o trabalho legislativo.

As críticas atingem dois políticos que conquistaram votações expressivas: Pavanato foi eleito deputado federal com 3.038.438 votos, enquanto Campopiano recebeu 1.956.238 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo.

Para Renan, a popularidade conquistada nas plataformas digitais não representa necessariamente capacidade de produzir resultados concretos no exercício de um mandato.

Na gravação, o dirigente do Missão ironizou as campanhas baseadas em vídeos de confronto, danças e discursos contra a esquerda. Segundo ele, esses conteúdos atraem milhões de visualizações, mas desviam a atenção dos eleitores sobre aquilo que os representantes efetivamente realizam nas câmaras legislativas.

“A questão é que eles só fizeram tudo isso porque eles não gostam de trabalhar”, declarou.

O ex-presidenciável mencionou nominalmente Pavanato, Campopiano e Nikolas Ferreira, questionando a produtividade parlamentar dos três. As afirmações representam a avaliação política de Renan e não podem ser tomadas, isoladamente, como comprovação de ausência de trabalho legislativo.

Entretanto, parte dos questionamentos encontra respaldo em documentos analisados recentemente pela imprensa.

Uma investigação da BBC News Brasil identificou que, dos 20 projetos de lei apresentados por Eduarda Campopiano durante seu mandato como vereadora de Praia Grande, pelo menos 14 continham trechos idênticos ou semelhantes a propostas de outros parlamentares.

Em alguns casos, as adaptações mantiveram referências a cidades completamente diferentes.

Um projeto sobre educação financeira nas escolas municipais mencionava benefícios para cidadãos paulistanos, embora tivesse sido apresentado em Praia Grande. Outro, que previa multas relacionadas ao consumo de maconha, destinava recursos a organizações do município de Serra, no Espírito Santo.

A reportagem também encontrou uma proposta que citava a Lei Orgânica de São José e trazia uma referência digital associada ao ChatGPT.

Entre os textos reproduzidos estavam propostas apresentadas anteriormente por Lucas Pavanato e pela deputada catarinense Ana Campagnolo, ambos aliados políticos de Campopiano.

A reprodução de projetos legislativos não constitui automaticamente uma irregularidade. Iniciativas bem-sucedidas podem ser adaptadas por diferentes municípios. O problema apontado pela investigação envolve a ausência de referências à origem de alguns textos e a manutenção de informações incompatíveis com a realidade local.

Procurados pela BBC, os parlamentares envolvidos não haviam respondido aos questionamentos sobre as semelhanças até a publicação daquela reportagem.

No caso de Pavanato, os números também exigem uma análise mais cuidadosa.

Levantamento publicado pelo Metrópoles aponta que o vereador apresentou aproximadamente 100 projetos de lei na Câmara Municipal de São Paulo, dos quais seis haviam sido aprovados até o período analisado.

Portanto, a afirmação de Renan de que o parlamentar não realizou nada de útil é uma crítica política, não uma descrição objetiva da quantidade de propostas apresentadas.

O próprio Pavanato reconheceu, em entrevista à Folha de S.Paulo em setembro, que vídeos de confronto produzem mais engajamento do que a divulgação de projetos e resultados legislativos. Segundo ele, as redes sociais não oferecem a mesma visibilidade às atividades tradicionais de um mandato.

O parlamentar defende sua estratégia afirmando que foi eleito para representar determinadas posições conservadoras e que utiliza as plataformas digitais para comunicar essas ideias.

Os gastos das campanhas ajudam a compreender o peso desse modelo de comunicação.

Segundo levantamento do Metrópoles baseado nas prestações de contas eleitorais, Pavanato destinou R$ 1,35 milhão ao impulsionamento de conteúdos digitais, equivalente a 50% de suas despesas de campanha.

Campopiano investiu R$ 400 mil, aproximadamente 61% dos gastos declarados.

Os valores mostram que as redes sociais não foram apenas ferramentas complementares, mas componentes centrais das duas campanhas.

A discussão também ultrapassa a rivalidade pessoal entre Renan e os parlamentares do PL. O fundador do MBL e dirigente do Missão disputa espaço político com setores do bolsonarismo, movimento do qual Pavanato se tornou um representante de grande alcance digital.

O resultado das eleições demonstra que esse modelo de comunicação possui capacidade expressiva de mobilização. Entretanto, transformar audiência em votos não resolve, por si só, a discussão sobre a qualidade do trabalho desenvolvido depois da eleição.

A crítica de Renan coloca em evidência uma questão que merece atenção para além de um único partido: como avaliar o desempenho de representantes cuja principal atividade pública parece acontecer nas redes sociais?

Número de seguidores, visualizações e votações expressivas são indicadores de popularidade. Já a atuação parlamentar precisa ser examinada também por projetos, fiscalização, participação nas votações e resultados concretos.

Pavanato e Campopiano ainda iniciarão seus novos mandatos em 2027, quando passarão a atuar, respectivamente, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa paulista.

A partir daí, a comparação entre o alcance de seus vídeos e os resultados de suas atividades legislativas poderá ser feita com mais elementos.

Por enquanto, o confronto levantado por Renan expõe uma discussão que acompanha a ascensão dos influenciadores políticos no Brasil: conquistar milhões de seguidores pode ajudar a chegar ao poder, mas o exercício do mandato exige responsabilidades que não se encerram quando a câmera é desligada.

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