Ex-diretor do BC afirma à PF que sabia de fraude no Master desde 2024

Redação
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O ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que tinha conhecimento, desde setembro de 2024, de parte de uma fraude estimada em ao menos R$ 11,5 bilhões no Banco Master. As informações foram publicadas pelo portal UOL.

A formalização do caso junto ao Ministério Público Federal ocorreu apenas em 17 de novembro de 2025. Conforme o relato prestado à PF em 10 de julho, Paulo Sérgio — afastado de suas funções sob suspeita de corrupção — declarou que já monitorava os desvios ligados a fundos cerca de três meses antes de o BTG Pactual alertar o BC, em dezembro de 2024, sobre um possível rombo de R$ 32 bilhões na instituição.

A apuração compõe a segunda fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, a fraude operava por meio de papéis sem valor do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), utilizados para desviar recursos do Banco Master em montante que soma pelo menos R$ 11,5 bilhões.

Em sua oitiva, Paulo Sérgio declarou ter formalizado as suspeitas após cobrança de Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, culminando no envio de uma carta ao Banco Master em 15 de setembro de 2024. As versões de ambos, no entanto, são divergentes quanto ao ritmo da apuração: enquanto Paulo Sérgio atribuiu ao diretor uma orientação para “jogar parado”, Aquino rebateu à PF afirmando que transferiu o caso de setor devido à resistência do departamento de fiscalização em aprofundar as análises. O diretor sustentou ainda que Paulo Sérgio defendia uma fusão entre o Master e o BRB como solução para as carteiras de crédito.

Paulo Sérgio e o ex-chefe do departamento Belline Santana são investigados por suspeita de recebimento de vantagens indevidas. Entre os indícios reunidos pela PF, consta uma mensagem na qual Daniel Vorcaro orienta Fabiano Zettel a atender bem Paulo Sérgio, tratando-o como um “anjo”. Belline refuta irregularidades e afirma ter agido estritamente dentro de suas atribuições.

Diante dos depoimentos, a PF convocou para prestar esclarecimentos como testemunhas o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente Roberto Campos Neto e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. O objetivo é estabelecer a cronologia de como os dados chegaram à cúpula do BC e verificar eventuais falhas na fiscalização do Banco Master.

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