Veículos da imprensa internacional deram ampla repercussão à crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF). O documento reúne mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master.
O jornal espanhol El País afirmou que o ambiente jurídico-político nacional passou por forte agitação com a abertura de uma crise na corte, avaliando que o episódio possui potencial para influenciar a disputa presidencial de outubro. O periódico também comparou os desdobramentos do caso Master às proporções da Operação Lava Jato.
Nos Estados Unidos, o Washington Post noticiou as pressões direcionadas a Moraes e descreveu o caso como um escândalo abrangendo diferentes espectros políticos, citando menções a nomes como o senador Flávio Bolsonaro e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na França, o diário Le Monde publicou que a divulgação das mensagens afetou a estabilidade institucional da corte. Por sua vez, a emissora pública RFI destacou as circunstâncias da decisão tomada por Mendonça — indicado ao tribunal em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro — ao retirar o sigilo de materiais que atingem Moraes, relator de processos contra o ex-mandatário.
A emissora catari Al Jazeera apontou que o centro da instabilidade repousa na contraposição direta entre os dois magistrados. Já na Argentina, o jornal La Nación classificou o cenário como uma “guerra interna no Judiciário brasileiro”, citando o contexto a um mês das eleições e o histórico de liquidação do banco e detenção de Vorcaro. Complementando a cobertura regional, o Clarín ressaltou a reação de Moraes, que demandou a abertura de apuração contra Mendonça no tribunal sob acusações de conduta imprópria e abuso de autoridade.