A prorrogação da votação do segundo turno das eleições até as 19h gerou questionamentos de cientistas políticos ouvidos em transmissão ao vivo do portal iG. Os especialistas alertaram que a medida pode afetar a percepção pública sobre a lisura do pleito e abrir espaço para disputas nos tribunais.
Para o cientista político Guilherme Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB), o cenário amplia a possibilidade de ações por parte dos concorrentes não eleitos. “Abriu agora, com essa confusão entre TSE e STF, uma verdadeira avenida para contestações judiciais de quem for o eventual derrotado. E isso é péssimo”, declarou.
Segundo Carvalho, a questão central não reside apenas no adiamento do término do pleito, mas na carência de normas detalhadas para balizar determinações dessa natureza. O pesquisador apontou que o Código Eleitoral carece de previsões claras para tais episódios e não define critérios de responsabilização para agentes que dificultem o deslocamento de votantes. “Quanto mais lacunas para judicializar, pior é para todos os candidatos e para a própria democracia”, afirmou, sugerindo que o Congresso analise uma reforma com limites objetivos para casos extraordinários.
Já a cientista política Érica Anitta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chamou atenção para o momento em que a medida foi divulgada. De acordo com a pesquisadora, a publicação ocorrida às 17h02 — após o horário regular de fechamento das urnas, previsto para as 17h — dificulta o entendimento do público sobre o andamento da contagem dos votos.
“É impensável você tomar uma decisão tão tardia e acreditar que isso não vai ter nenhum tipo de impacto”, afirmou Érica. Para a especialista da UFMG, a determinação extemporânea gera insegurança procedimental: “Isso abre vários precedentes para desconfiança, para julgamentos em relação à validade das coisas e para um desânimo ainda maior”.