Brasil registra cerca de 830 mil celulares roubados ou furtados em um ano; crime agora ameaça também o dinheiro das vítimas

Política Real
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Apesar da redução de ocorrências nos últimos anos, aparelhos continuam entre os principais alvos da criminalidade urbana. Expansão do Pix e dos serviços digitais transforma a perda do telefone em um risco financeiro e de exposição de dados.

O telefone celular se tornou uma espécie de documento, carteira, agência bancária e escritório pessoal dos brasileiros. É nele que milhões de pessoas recebem salários, pagam contas, trabalham e mantêm informações privadas. Essa transformação também mudou o impacto dos roubos e furtos de aparelhos no país.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aproximadamente 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em 2025. Apesar da redução do número de ocorrências desde 2023, os registros continuam mostrando a dimensão de um crime que atinge diretamente o cotidiano da população.

O problema já não se limita ao prejuízo de substituir um aparelho.

Com a popularização do Pix e dos aplicativos financeiros, criminosos passaram a buscar também acesso a contas bancárias, dados pessoais e informações armazenadas nos dispositivos.

Um levantamento do Fórum aponta que as fraudes envolvendo aparelhos roubados cresceram mais de quatro vezes entre 2024 e 2025.

Isso amplia as consequências do crime. Além de perder o celular, a vítima pode enfrentar movimentações financeiras não autorizadas, tentativas de acesso a contas e exposição de informações privadas.

Outro elemento agrava o impacto econômico: o custo de reposição dos aparelhos.

Dados da consultoria IDC indicam que o preço médio de um celular vendido no Brasil em 2025 foi de aproximadamente R$ 2.310, valor equivalente a uma parcela expressiva da renda mensal de muitos trabalhadores.

Em São Paulo, estado mais populoso do país, foram registrados 268.184 roubos e furtos de celulares no ano passado.

As autoridades estaduais também intensificaram operações para recuperar aparelhos e combater estabelecimentos envolvidos na receptação.

Entre junho de 2025 e setembro de 2026, a polícia paulista recuperou 38.028 telefones. Desse total, 11.445 haviam sido devolvidos aos proprietários no período analisado.

Os números mostram uma dificuldade que não termina na recuperação dos objetos: localizar os verdadeiros donos e concluir os procedimentos necessários para devolvê-los.

O problema passou a ocupar espaço na campanha presidencial.

Lula (PT) sancionou uma legislação que ampliou as punições para determinadas modalidades de crime envolvendo equipamentos eletrônicos e defende a utilização de ferramentas digitais para bloquear aparelhos e combater a receptação.

Flávio Bolsonaro (PL) apresentou propostas para endurecer as penas contra responsáveis por roubos e furtos de telefones.

A discussão envolve diferentes estratégias: aumentar punições, ampliar investigações, combater o comércio de produtos roubados e impedir que aparelhos subtraídos continuem funcionando normalmente.

O Ministério da Justiça mantém o programa Celular Seguro, plataforma que permite comunicar roubos, furtos ou perdas e acionar procedimentos de bloqueio do aparelho, da linha e de acessos bancários vinculados a instituições participantes.

O sistema também permite cadastrar uma pessoa de confiança para comunicar a ocorrência caso a vítima fique impossibilitada de utilizar seus dispositivos.

Outra funcionalidade importante é a consulta ao IMEI, código de identificação do aparelho. Antes de comprar um telefone usado, o consumidor pode verificar se existe registro de roubo, furto ou extravio na base nacional.

Essa medida ajuda a reduzir os riscos de adquirir um produto de origem irregular.

A prevenção também exige cuidados individuais, como utilizar mecanismos fortes de autenticação, manter cópias de segurança e proteger o acesso aos aplicativos financeiros.

Nenhuma dessas ferramentas elimina o problema da criminalidade, mas pode reduzir os danos depois de uma ocorrência.

O crescimento da vida digital tornou os celulares cada vez mais indispensáveis. Ao mesmo tempo, aumentou a quantidade de informações e recursos financeiros que podem ser comprometidos quando um aparelho cai nas mãos de criminosos.

O desafio da segurança pública, portanto, deixou de envolver apenas a recuperação de objetos.

Também passou a incluir a proteção das contas bancárias, dos dados pessoais e da confiança dos brasileiros nas tecnologias que utilizam diariamente.

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