Por 5 votos a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou a retomada e a continuidade das obras do novo salão de festas da Casa Branca. A decisão, publicada pelo próprio tribunal, suspendeu uma liminar de primeira instância que restringia a edificação da parte acima do solo enquanto tramita a disputa judicial sobre o projeto.
Iniciado em 2025 com a demolição da antiga Ala Leste da sede do governo norte-americano, o projeto prevê a instalação de estruturas militares subterrâneas e, na superfície, um salão de baile. As obras haviam sido paralisadas em março por meio de uma liminar obtida pelo National Trust for Historic Preservation.
Ao analisar o pedido, a maioria dos ministros concluiu preliminarmente que o governo federal tem probabilidade de comprovar que a organização preservacionista não possui legitimidade processual (standing) para questionar o projeto na Justiça federal. O tribunal também acolheu a argumentação governamental de que a interrupção geraria prejuízos irreparáveis.
A Suprema Corte ressaltou que a deliberação não declara a legalidade do projeto em si, limitando-se a suspender a liminar enquanto o governo prepara um eventual recurso definitivo à própria corte.
O presidente do tribunal, John Roberts, divergiu da maioria e votou contra a liberação das obras, acompanhado pelas ministras Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson. Em sua manifestação, Roberts afirmou que a construção é “provavelmente ilegal”, sustentando que normas federais vedam edificações em terrenos da União em Washington sem autorização expressa do Congresso, requisito que não teria sido atendido pelas leis apontadas pelo governo.
A suspensão da liminar seguirá válida durante a tramitação do recurso do governo. Caso a Suprema Corte recuse julgar o mérito, a suspensão perde o efeito; se aceitar o caso, a liberação continuará em vigor até o julgamento definitivo.