A população da Islândia vai às urnas neste sábado (29) para decidir se o país deve reabrir as negociações de adesão à União Europeia (UE). O debate sobre o ingresso no bloco europeu foi reacendido pelas tensões internacionais decorrentes da guerra na Ucrânia e de recentes posturas geopolíticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incluem declarações sobre o controle da Groenlândia e imposições tarifárias.
Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia já faz parte do Espaço Econômico Europeu e do Espaço Schengen, mas não possui assento nas deliberações do bloco. Em 2009, após a crise financeira internacional, o país formalizou um pedido de adesão, mas as conversas foram interrompidas anos depois com a posse de um governo de posição contrária à integração.
Pesquisas de opinião pública indicam um cenário de empate entre apoiadores e críticos da adesão. O governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir trata a consulta como uma oportunidade definitiva: caso a maioria vote contra, o tema será descartado; em caso de vitória do “sim”, o governo retomará as tratativas com a UE. Uma adesão formal e definitiva dependerá de um segundo referendo popular, previsto para daqui a dois anos.
Argumentos em debate
Os defensores da integração argumentam que o ingresso na UE traria estabilidade econômica, garantiria proteção em meio a disputas no Ártico e incluiria o país na união aduaneira do bloco. Outro ponto citado é a possibilidade de substituição da coroa islandesa pelo euro, medida que, segundo apoiadores, ajudaria a controlar a inflação, reduzir taxas de juros e diminuir o custo de vida.
A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Gunnarsdóttir, declarou que o momento exige reflexão estratégica sobre alianças globais. “A ordem internacional que sustentou nossa segurança e nossa prosperidade por décadas está sob forte pressão”, afirmou a chanceler. “Em momentos como este, países pequenos precisam pensar com cuidado sobre onde estão e quem está ao lado deles.”
Por outro lado, opositores sustentam que a filiação comprometeria a soberania nacional e transferiria decisões estratégicas a Bruxelas. A indústria da pesca, setor central da economia islandesa, manifesta receio quanto à imposição de cotas pesqueiras comunitárias e ao acesso de frotas estrangeiras às suas águas territoriais. A manutenção da moeda própria também é defendida como instrumento de flexibilidade cambial diante de crises.
Em ato de campanha contrário à adesão, a ex-primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir reforçou a posição soberanista. “Para um país como o nosso, com uma economia pequena, é muito importante manter nossa soberania e não transferir para a UE mais poder do que o necessário”, afirmou a jornalistas.
A votação, de caráter facultativo, ocorre entre 9h e 22h pelo horário local, e a apuração dos votos deve ser concluída nas horas seguintes.