Emissora restringirá movimentação dos candidatos depois de episódios de tensão na Band. Debate desta sexta-feira será o último encontro televisivo antes da eleição, marcada para domingo.
O último debate presidencial antes do segundo turno terá regras mais rígidas para a movimentação dos candidatos dentro do estúdio. A TV Globo decidiu limitar o deslocamento de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o encontro desta sexta-feira (23), marcado para as 21h20, depois das provocações e interrupções registradas no debate realizado pela Band.
A medida foi incluída a pedido da campanha de Lula e procura evitar situações em que um candidato interfira fisicamente na fala do adversário.
No encontro anterior, Flávio chegou a se posicionar atrás do presidente enquanto ele discursava, provocando questionamentos sobre os limites da circulação pelo cenário.
A mudança estabelece que, nos três primeiros blocos, apenas o candidato que estiver com a palavra poderá circular livremente. O adversário deverá permanecer em seu púlpito.
No quarto bloco, dedicado a perguntas de tema livre, cada participante poderá se movimentar somente dentro de seu lado do estúdio.
A decisão busca preservar as condições de participação dos dois candidatos e impedir que gestos ou deslocamentos prejudiquem o andamento das respostas.
O encontro será mediado pelo jornalista César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com transmissão pela TV aberta, GloboNews, g1 e Globoplay.
A programação prevê quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais.
Nos três primeiros, serão utilizados temas previamente organizados pela emissora. No último, os candidatos terão maior liberdade para escolher os assuntos.
A ordem das perguntas será definida por sorteio.
Outra discussão envolveu a verificação das declarações apresentadas durante o confronto.
A emissora informou que não fará checagens diretamente na transmissão televisiva, mas que sua equipe de verificação publicará análises no ambiente digital durante o programa.
O debate acontece em um momento particularmente relevante da corrida presidencial.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostrou os candidatos numericamente empatados com 50% dos votos válidos cada um.
O resultado representa a menor distância registrada pelo instituto desde o início do segundo turno.
Entretanto, a proximidade dos percentuais não permite antecipar o resultado da votação.
Outro dado ajuda a compreender o contexto do debate: 94% dos eleitores entrevistados afirmam ter sua preferência definida, enquanto 6% admitem mudar de candidato.
Isso indica que a maior parte do público já possui uma escolha declarada, embora continue existindo espaço para dúvidas e mudanças de opinião.
A pesquisa também não garante o comparecimento dos eleitores às urnas, um fator que dependerá das decisões individuais no domingo.
No debate da Band, Lula e Flávio concentraram parte das intervenções em acusações sobre corrupção, patrimônio familiar, investigações financeiras e decisões do Judiciário.
Assuntos como segurança pública, saúde e economia também foram discutidos, mas algumas propostas permaneceram sem explicações completas sobre custos e formas de implementação.
Agora, o último encontro apresenta outra oportunidade para esclarecer essas questões.
O eleitor ainda precisa compreender como Flávio pretende executar seu programa de renegociação de dívidas e financiar mudanças na estrutura federal. Lula também enfrenta perguntas sobre a sustentabilidade das medidas anunciadas durante a campanha e seus efeitos sobre as contas públicas.
Na segurança, os candidatos divergem sobre o endurecimento penal e a reorganização institucional do setor.
Na economia, apresentam propostas diferentes para enfrentar endividamento, juros elevados e baixo crescimento.
O encontro também ocorrerá depois da assinatura de um acordo para divulgação de informações financeiras dos candidatos e de pessoas relacionadas a eles.
A decisão de André Mendonça, esclarecendo que a divulgação voluntária dos dados independe de autorização judicial, acrescenta um novo elemento ao confronto.
O último debate será realizado no mesmo dia em que termina a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Depois disso, as campanhas entram nas horas finais antes da votação de 25 de outubro, sujeitas às restrições previstas na legislação eleitoral.
Com o calendário chegando ao fim, o confronto desta sexta-feira representa a última oportunidade programada de ver Lula e Flávio discutindo diretamente suas propostas na televisão.
A questão é se os candidatos utilizarão esse espaço para esclarecer dúvidas sobre o futuro do país ou se o encontro continuará concentrado nas acusações que dominaram o debate anterior.