Estratégia de dados e redes sociais impulsionou virada de Lula no segundo turno

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reestruturou suas ações para a etapa final da disputa. Com a apuração total dos votos do primeiro turno divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio somou 47,03% dos votos válidos, e Lula obteve 45,16%, configurando uma desvantagem de 1,87 ponto percentual. Na votação seguinte, o petista foi reeleito com 51,79%, contra 48,21% do candidato do PL.

Para reverter o quadro, a coordenação petista instalou no dia 5 de outubro uma sala de situação em Brasília, sob liderança do secretário de Organização do partido, Laércio Ribeiro de Oliveira. A unidade contava com seis integrantes no espaço físico e dez na central de relacionamento virtual em contato com diferentes estados, incluindo no comando o senador Camilo Santana (PT-CE) e o presidente da legenda, Edinho Silva.

A equipe nacional passou por mudanças com a inclusão de nomes do Nordeste: Camilo Santana assumiu a coordenação política, Rui Costa (PT-BA) coordenou a agenda, e Rafael Fonteles (PT-PI) ficou responsável pela comunicação. O objetivo central consistiu em analisar detalhadamente as bases de dados do TSE para calibrar o teor das mensagens por região, identificando locais para elevar a rejeição do adversário, incentivar abstenções a comparecerem às urnas e estimular a militância de forma segmentada.

Segundo Oliveira, o modelo da etapa inicial apoiava-se na estrutura clássica de 2022, baseada em comitês populares, sindicatos e movimentos sociais. “Somado a isso, a gente tinha a organização do Pode Espalhar, que era uma coisa montada em 2022, aprimorada um pouco, mas era orgânico, alcançava mais a militância. Tivemos o Porta-voz do presidente Lula, sob a coordenação do Boulos, para tentar ampliar o simpatizante que não era do PT, mas que era progressista, mas, na prática, esse engajamento só aconteceu no segundo turno com [André] Janones, que extrapolou a bolha”, disse o secretário.

Sobre os fatores determinantes para o resultado, Oliveira avaliou que o comparecimento às urnas foi central: “Se você olhar o resultado do Brasil inteiro, o que mais surtiu efeito foi a redução da abstenção e o eleitor que voltou para a urna, não tinha ido no primeiro turno, foi para a urna ou que mesmo não tinha votado em 2022. Isso foi o que mais surtiu efeito, mas tem esse eleitor da terceira via, que foi para ele (Lula). São quase 10 milhões de votos, né?”.

No ambiente virtual, Lula ampliou a gravação de vídeos direcionados a estados como Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. Paralelamente, o deputado federal André Janones (Rede-MG) liderou uma atuação digital combativa no WhatsApp por meio do canal “Exército do Lula”, com 10,5 milhões de participantes, utilizando estratégias focadas em algoritmos de redes sociais.

Ao comentar a lição da disputa, Laércio Oliveira destacou que estruturas tradicionais permanecem relevantes, mas demandam contato sem barreiras. “Esse segundo turno mostrou que é preciso ter criatividade, que tem que falar de forma direta com a massa. Não tem mais intermediário. Você fala com o sindicato, o sindicato reproduz essa relação com os seus trabalhadores. Você fala com movimento social organizado, o movimento social organizado reproduz isso. Eu acho que a sociedade está mudando nesse sentido, está perdendo os intermediários”, afirmou. O dirigente completou: “Não significa que isso deixa de ter importância porque voocê organiza a luta, organiza a partir disso, as suas pautas, mas isso é insuficiente hoje para você falar com o povo, falar com a massa.”

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