O governo dos Estados Unidos fechou um acordo para atuar na exploração das reservas de petróleo da Venezuela em parceria com a North American Blue Energy Partners (NABEP), controlada pela família do empresário Alejandro Betancourt López. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump.
Pelo plano divulgado, o financiamento para o desenvolvimento das reservas venezuelanas deve ser realizado por meio do Office of Strategic Capital, órgão vinculado ao Pentágono. A NABEP ficaria encarregada da operação técnica em 17 campos petrolíferos distribuídos pelo país sul-americano.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, manifestou apoio à iniciativa e declarou que a medida terá um “impacto significativo na recuperação da nossa nação”, com potencial para gerar mais de US$ 200 bilhões em arrecadação tributária para o Estado venezuelano.
Segundo o governo norte-americano, o objetivo da operação é obter acesso preferencial a recursos energéticos a baixo custo e diversificar o abastecimento global. A Venezuela produz atualmente pouco mais de 1 milhão de barris diários, fatia correspondente a cerca de 1% da produção global. A NABEP, sediada em Barbados, produz cerca de 200 mil barris diários e projeta alcançar 1 milhão de barris por dia nos próximos cinco anos, mediante captação de até US$ 5 bilhões em dívidas.
O acordo também estabelece que os Estados Unidos terão o direito de adquirir participação acionária na NABEP por meio de instrumentos financeiros futuros. Em paralelo, a petroleira norte-americana Chevron mantém negociações avançadas para ampliar suas operações em território venezuelano, de acordo com informações apuradas pelo jornal The New York Times.
Investigações e histórico empresarial
Alejandro Betancourt López ganhou projeção na década de 2010 ao obter contratos estatais de infraestrutura energética na Venezuela. Posteriormente, adquiriu participação na Petrozamora, cujos ativos no Lago de Maracaibo formaram a base da NABEP.
As contas bancárias do empresário são alvo de apurações por promotores em Zurique, na Suíça, há mais de dez anos. De acordo com o relato jornalístico, integrantes da administração norte-americana avaliaram favoravelmente a capacidade de entrega operacional da NABEP e chegaram a solicitar às autoridades suíças e britânicas a flexibilização de restrições e investigações contra o empresário.
Em declaração ao The New York Times, a NABEP afirmou que pretende colaborar na reconstrução da infraestrutura energética venezuelana, mas ressaltou que ainda seria prematuro detalhar o formato final da atuação da companhia.