A próxima revolução do comércio já começou: 72% dos brasileiros aceitam deixar a inteligência artificial fazer compras

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Pesquisa internacional mostra que o Brasil está entre os mercados mais abertos a agentes digitais capazes de pesquisar, comparar e comprar produtos. Transformação pode mudar a maneira como lojas atraem clientes.

Imagine precisar comprar um novo notebook e, em vez de pesquisar dezenas de lojas, comparar preços, procurar cupons e analisar avaliações, simplesmente pedir a uma inteligência artificial que encontre a melhor opção dentro de seu orçamento.

Agora imagine que essa mesma ferramenta consiga consultar estoques, calcular o frete, comparar condições de pagamento e concluir a compra mediante sua autorização.

Esse modelo, conhecido como comércio agêntico, começa a ganhar espaço no mercado brasileiro e pode modificar profundamente a relação entre consumidores, empresas e plataformas digitais.

Uma pesquisa da Global Payments, realizada em parceria com a consultoria The Lantern, revelou que 72% dos consumidores brasileiros já utilizaram ou estão dispostos a utilizar agentes de inteligência artificial para fazer compras agora ou nos próximos 12 meses.

Em 2025, o índice era de 39%. O avanço foi de 33 pontos percentuais em apenas um ano.

O dado reúne dois comportamentos diferentes: 24% dos brasileiros entrevistados afirmaram já ter experimentado a tecnologia, enquanto 48% manifestaram disposição para utilizá-la.

Isso significa que a maior parte dos 72% ainda representa intenção ou abertura ao uso, não compras efetivamente realizadas.

Mesmo assim, o resultado coloca o Brasil na segunda posição entre os sete países pesquisados, atrás apenas da China, onde o índice chega a 86%.

Nos Estados Unidos, 45% dos entrevistados disseram aceitar esse tipo de compra. No Reino Unido, foram 48%, enquanto a França registrou 46%.

O levantamento ouviu 8.027 consumidores nos sete mercados, em maio de 2026, e revela uma mudança importante na maneira como as pessoas imaginam realizar transações digitais.

Até agora, boa parte do comércio eletrônico depende de uma dinâmica conhecida: o consumidor pesquisa um produto, encontra anúncios ou resultados de busca, entra numa loja e decide se vai comprar.

Com os agentes de inteligência artificial, parte desse processo pode ocorrer sem que o usuário precise visitar diretamente o site de uma empresa.

A ferramenta pode selecionar opções, comparar informações e recomendar uma compra antes mesmo de o consumidor visualizar as lojas disponíveis.

Para os empreendedores, isso apresenta um desafio diferente daquele enfrentado durante o crescimento das redes sociais.

Durante anos, empresas investiram em anúncios, influenciadores, otimização para mecanismos de busca e produção de conteúdo para atrair visitantes aos próprios sites.

Agora, começam a surgir situações em que a escolha pode ser intermediada por sistemas de inteligência artificial.

A visibilidade de um negócio passa a depender também da qualidade das informações disponíveis sobre produtos, preços, condições comerciais, reputação e disponibilidade de estoque.

Uma loja que não mantém seus dados atualizados poderá enfrentar dificuldades para aparecer entre as opções consultadas por essas ferramentas.

O movimento já chegou às grandes empresas.

O Magazine Luiza desenvolveu o WhatsApp da Lu, ferramenta que permite conversar com uma assistente digital, receber recomendações de produtos e avançar no processo de compra pelo aplicativo.

O Mercado Livre também trabalha em sistemas de busca e assistência baseados em inteligência artificial.

Já a Amazon começou a restringir o acesso de determinados agentes externos à sua plataforma, ao mesmo tempo em que desenvolve suas próprias soluções.

Essas decisões revelam outra disputa: quem controlará a relação com o consumidor quando sistemas automatizados passarem a desempenhar um papel maior nas compras?

As grandes plataformas possuem audiência, dados e infraestrutura. Empresas menores, por sua vez, poderão disputar espaço oferecendo informações comerciais confiáveis, atendimento especializado e produtos competitivos.

A transformação, entretanto, enfrenta obstáculos.

Segundo a pesquisa, 50% dos brasileiros entrevistados demonstram preocupação com a segurança dos dados de pagamento. Outros 45% mencionam receios relacionados à privacidade, enquanto 41% temem que a inteligência artificial escolha produtos inadequados.

A necessidade de confirmar transações antes de sua execução aparece como uma das principais condições para aumentar a confiança.

Esses resultados mostram que existe abertura para delegar parte das compras à tecnologia, mas não necessariamente disposição para entregar controle irrestrito sobre o próprio dinheiro.

Para o empreendedor, compreender essa diferença será essencial.

A questão não é simplesmente criar um robô para vender mais. É entender como a descoberta de produtos, o relacionamento com clientes e a conclusão das compras poderão funcionar quando os consumidores passarem a utilizar assistentes digitais com maior frequência.

A pesquisa não permite afirmar quando esse modelo se tornará dominante, nem que substituirá lojas físicas, aplicativos ou sites tradicionais.

Mas os dados mostram que o comportamento do consumidor já está mudando.

E essa transformação apresenta uma pergunta que merece atenção de qualquer empresário: se amanhã o seu cliente pedir a uma inteligência artificial que encontre o melhor produto, sua empresa estará entre as opções que ela conseguirá identificar?

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