Mercado reduz previsão de crescimento do Brasil e vê inflação acima da meta também em 2027

Política Real
Colunista
5 leitura mínima

Novo Boletim Focus aponta inflação de 5,22% neste ano e eleva estimativa para 4,32% em 2027. Economistas também projetam expansão menor do PIB e dois cortes adicionais na taxa Selic até dezembro.

A economia brasileira chega à última semana da eleição presidencial com sinais de desaceleração e expectativas de inflação ainda pressionadas. O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (19) mostra que economistas reduziram as projeções de crescimento para 2026 e 2027, ao mesmo tempo em que passaram a esperar preços mais elevados no próximo ano.

Segundo o levantamento, a expectativa do mercado para a inflação oficial de 2026 permaneceu em 5,22%.

Embora o percentual não tenha aumentado em relação à semana anterior, continua acima do limite superior de tolerância da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.

A meta central é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Isso significa que, caso a projeção do mercado se confirme, a inflação encerrará 2026 acima do limite previsto pelo sistema de metas.

Para 2027, a expectativa piorou. A inflação projetada passou de 4,30% para 4,32%.

A alteração semanal é pequena, mas indica que os economistas ainda não esperam um retorno confortável dos preços ao centro da meta no próximo ano.

Para 2028, a estimativa caiu de 3,79% para 3,75%. Já a projeção para 2029 permaneceu em 3,50%.

O cenário inflacionário preocupa porque interfere diretamente no poder de compra das famílias.

Mesmo quando a inflação diminui, isso não significa que os preços dos produtos estejam caindo. Significa apenas que, em média, continuam aumentando em ritmo menor.

Por isso, famílias que enfrentaram altas acumuladas em alimentos, combustíveis e serviços podem continuar percebendo dificuldades para equilibrar o orçamento.

Outro sinal de alerta veio das expectativas de crescimento econômico.

O mercado reduziu de 1,85% para 1,83% a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

Para 2027, o corte foi maior: de 1,40% para 1,32%.

A revisão significa que os economistas esperam uma economia com ritmo de expansão mais moderado, especialmente diante do custo elevado do crédito.

O Banco Central mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano, patamar que influencia os juros cobrados de empresas e consumidores.

Segundo o Focus, o mercado continua esperando dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, o que levaria a taxa para 13,25% ao ano.

Essas projeções não representam decisões já tomadas pelo Comitê de Política Monetária. As alterações dependerão dos próximos dados de inflação, atividade econômica e expectativas de mercado.

A manutenção dos juros elevados tem como objetivo conter pressões sobre os preços. Entretanto, também dificulta investimentos e amplia o custo de financiamentos.

Empresas que dependem de crédito para ampliar operações podem adiar projetos quando os juros permanecem elevados.

Para as famílias, o efeito aparece nas parcelas de empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito.

O cenário econômico também é influenciado pela instabilidade internacional, especialmente pelos preços do petróleo e pelas decisões de política monetária dos Estados Unidos.

No Brasil, a disputa presidencial acrescenta dúvidas sobre a condução das contas públicas e o planejamento econômico para 2027.

O próximo governo terá de administrar uma combinação desafiadora: inflação acima da meta, juros elevados, crescimento moderado e necessidade de preservar a sustentabilidade fiscal.

As propostas apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro seguem caminhos diferentes, mas dependerão das mesmas condições econômicas para serem implementadas.

Na segunda-feira, o dólar encerrou o dia cotado próximo de R$ 5,05, enquanto o Ibovespa recuou 0,17%, refletindo movimentos do mercado doméstico e internacional.

A oscilação de um único pregão não demonstra uma tendência definitiva, mas mostra a atenção dos investidores aos indicadores econômicos e ao ambiente eleitoral.

O Boletim Focus reúne expectativas de instituições financeiras e analistas, não previsões oficiais do Banco Central.

Seu resultado indica que o mercado continua esperando um processo de redução gradual dos juros, mas considera que o combate à inflação e a retomada de um crescimento mais consistente permanecerão entre os principais desafios de 2027.

Para empresas, trabalhadores e consumidores, os próximos meses serão importantes para verificar se a desaceleração dos preços se consolidará e quando o crédito poderá se tornar mais acessível.

Compartilhe este artigo