PEC da Segurança volta ao Senado, mas redução da maioridade penal ameaça acordo

Política Real
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Alcolumbre marca discussão para terça-feira, após o feriado de Finados. Governo tenta avançar na reorganização do combate ao crime organizado, enquanto a oposição pressiona para incluir mudanças na responsabilização penal de adolescentes.

A proposta de emenda à Constituição que pretende reorganizar a segurança pública brasileira voltará à pauta do Senado na próxima terça-feira, 3 de novembro.

A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (30) pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

O texto aparece como primeiro item da sessão marcada para as 14h.

Entretanto, a inclusão na pauta não significa que a proposta será aprovada imediatamente.

A previsão é iniciar uma nova etapa de discussão em primeiro turno, enquanto os partidos continuam negociando alterações.

O principal impasse envolve a tentativa de incluir na PEC a redução da maioridade penal, tema que divide governo e oposição.

A proposta é considerada uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os últimos meses de 2026.

Por que a votação foi adiada?

A PEC estava prevista para ser analisada em 15 de outubro.

Na ocasião, Alcolumbre decidiu retirar o texto da pauta para permitir novas negociações.

O presidente do Senado argumentou que seria necessário buscar entendimento sobre emendas apresentadas pelos parlamentares.

A principal divergência surgiu em torno da responsabilização criminal de adolescentes.

Setores da oposição defendem a redução da maioridade penal em determinadas circunstâncias.

Uma das propostas discutidas permitiria a responsabilização a partir dos 14 anos em casos de crimes graves.

Outra emenda, apresentada pelo senador Rogério Marinho, do PL, prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral.

A iniciativa enfrenta resistência de setores do PT e de integrantes da base governista.

O senador Camilo Santana apresentou uma alternativa para tentar construir um acordo, mas a proposta também não alcançou consenso dentro do partido.

O que a PEC pretende mudar?

A PEC da Segurança Pública foi apresentada pelo governo federal em 2025.

Seu objetivo central é ampliar a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento da criminalidade.

Atualmente, a Constituição estabelece competências distintas para as instituições responsáveis pela segurança.

Os estados comandam as polícias civis e militares.

A União possui atribuições específicas, exercidas principalmente pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal.

Os municípios participam por meio de suas guardas e de outras políticas locais.

A proposta procura reorganizar essa estrutura, estabelecendo mecanismos mais amplos de cooperação.

Entre as mudanças previstas está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição.

A intenção é fortalecer o compartilhamento de informações e a coordenação das ações entre diferentes órgãos.

Polícia Federal e forças municipais

O texto também prevê a ampliação das competências da Polícia Federal para investigar crimes com repercussão interestadual ou internacional.

A medida possui relevância diante da atuação de organizações criminosas que operam simultaneamente em diferentes estados.

Outra mudança envolve a Polícia Rodoviária Federal, que poderá receber atribuições relacionadas à fiscalização de ferrovias e hidrovias federais.

A proposta ainda estabelece regras para a criação e a atuação de polícias municipais.

Essas mudanças exigirão regulamentação e definição de responsabilidades.

A simples ampliação de competências constitucionais não garante, isoladamente, melhoria dos indicadores de segurança.

Será necessário estabelecer mecanismos de financiamento, treinamento, integração tecnológica e avaliação de resultados.

O combate às facções

A proposta também endurece regras relacionadas à atuação de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

O governo argumenta que o enfrentamento desses grupos exige coordenação nacional.

Organizações criminosas frequentemente atuam em diferentes territórios e utilizam estruturas financeiras, logísticas e digitais que ultrapassam os limites de um único estado.

A integração pode facilitar investigações e reduzir dificuldades de comunicação entre instituições.

Entretanto, o debate também envolve a autonomia dos governadores.

Parte dos parlamentares defende que a ampliação das atribuições federais não pode enfraquecer o comando estadual das forças policiais.

Esse equilíbrio será uma das questões centrais da implementação.

O futuro Ministério da Segurança Pública

Lula pretende criar um ministério específico para a segurança pública depois da aprovação da PEC.

A proposta foi discutida durante a gestão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça.

A criação de uma nova pasta dependerá de decisões administrativas e orçamentárias.

Também será necessário estabelecer quais atribuições permanecerão no Ministério da Justiça e quais serão transferidas para a nova estrutura.

O presidente defende que a segurança pública receba maior atenção dentro da administração federal.

Entretanto, ainda não existe garantia de que a PEC será aprovada antes do encerramento da atual legislatura.

O desafio dos 49 votos

Uma proposta de emenda à Constituição precisa receber o apoio de pelo menos três quintos dos senadores, equivalentes a 49 votos, em dois turnos de votação.

A PEC já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Caso seja modificada em relação ao texto aprovado anteriormente pela Câmara, precisará retornar aos deputados.

O calendário legislativo é apertado.

O Congresso ainda terá de discutir o Orçamento de 2027 e outras propostas relevantes antes do recesso parlamentar.

A inclusão da PEC na pauta demonstra que Alcolumbre pretende retomar sua tramitação.

Mas a disputa sobre a maioridade penal poderá dificultar a construção de uma maioria.

O governo busca aprovar uma reforma estrutural da segurança pública. A oposição tenta incluir uma mudança penal de grande repercussão.

A questão agora é saber se os parlamentares conseguirão separar essas discussões ou se a divergência sobre adolescentes continuará impedindo o avanço de uma proposta mais ampla.

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