Em entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado por três ocasiões com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a respeito dos atritos entre integrantes da Corte. Durante a conversa com o apresentador Igor3k, o chefe do Executivo cobrou providências do magistrado para conter os embates internos e preservar a credibilidade institucional do tribunal.
De acordo com o presidente, a postura da presidência da Corte foi insuficiente para estancar a crise. “Eu conversei com o Fachin três vezes, e disse que ele não pode deixar a Suprema Corte degladiando, o que o povo humilde vai pensar do que está acontecendo? Assuma a responsabilidade como presidente e tome conta disso”, declarou Lula. O petista também avaliou a condução do magistrado: “Na minha opinião, ele não fez o correto, mas não posso dar mais palpite do que isso”.
Lula também criticou as transmissões realizadas pela TV Justiça, sustentando que a ampla exposição dos desentendimentos públicos afeta a percepção sobre o Judiciário. O mandatário apontou a extensão excessiva dos julgamentos televisionados: “Um voto que deveria durar cinco minutos, dura cinco horas para dar”.
Diante do cenário, o presidente voltou a mencionar sugestões para uma reforma do Poder Judiciário. Entre os pontos defendidos estão a fixação de mandatos com tempo delimitado para ministros do STF e a formação de um conselho integrado pela sociedade civil para atuar no processo de indicação dos membros.
Ao comentar a apuração de irregularidades na Corte, o presidente sustentou que eventuais condutas criminosas devem ser punidas. “Se eles tem um comportamento que não é o correto, eles vão pagar o preço, todos nós pagamos o preço do erro que cometemos, todos nós”, disse.
As declarações ocorreram em meio às tensões institucionais provocadas por desdobramentos ligados ao caso Banco Master, marcados por divergências e acusações mútuas entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sobre a condução de investigações e o futuro do inquérito das fake news.