Em quatro dias, Flávio Bolsonaro recebeu apoio de PP, União Brasil, Novo e Republicanos e prepara nova adesão do Podemos. Tarcísio de Freitas virou uma das principais pontes da operação e agora o MDB aparece como próxima fronteira da disputa partidária.
A campanha de Flávio Bolsonaro que saiu das urnas domingo não é mais a mesma que chega nesta quinta-feira.
No primeiro turno, o candidato do PL disputou a eleição cercado principalmente pelo próprio campo bolsonarista e com boa parte dos grandes partidos de centro tentando manter distância da escolha presidencial.
O resultado mudou a conversa.
Depois de terminar a votação com 47,03% dos votos válidos, Flávio passou a receber uma sequência de apoios partidários que, poucos dias antes, não estavam garantidos.
E um personagem virou central nesse processo.
Tarcísio de Freitas.
PP e União Brasil entraram juntos
Nesta quarta-feira, a federação formada por União Brasil e Progressistas formalizou apoio a Flávio.
A decisão tem peso porque os dois partidos possuem grandes bancadas no Congresso, governadores, prefeitos e estruturas regionais importantes.
Mais do que uma fotografia de campanha, a adesão começa a mostrar como setores do centro-direita estão olhando para o resultado de domingo e reposicionando suas relações com os dois candidatos presidenciais.
O Novo também oficializou apoio.
Mas a movimentação que mais ajuda a entender o novo papel de Tarcísio aconteceu no Republicanos.
Tarcísio abriu uma porta que Flávio não tinha conseguido abrir
A relação entre Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira, presidente do Republicanos, estava longe de ser próxima.
O partido havia escolhido neutralidade no primeiro turno.
Depois da eleição, Tarcísio entrou diretamente na negociação, conversou com Pereira e participou da construção do acordo que terminou nesta quarta-feira com o anúncio oficial de apoio a Flávio.
Isso revela uma mudança importante na campanha.
Tarcísio não está apenas aparecendo em fotografia ou pedindo voto.
Está funcionando como articulador.
E essa talvez seja sua maior utilidade política para Flávio no segundo turno.
O Podemos é o próximo passo
Na manhã desta quinta-feira, Flávio deve se reunir com a direção nacional do Podemos.
O encontro está previsto para as 8h, em Brasília, e a tendência anunciada pela própria articulação partidária é de adesão formal.
Se isso acontecer, Flávio terá conseguido, em menos de uma semana, aproximar uma parte considerável do centro político que preferiu não acompanhá-lo formalmente no primeiro turno.
Mas existe uma diferença importante entre ganhar partidos e ganhar eleitores.
Apoio partidário não se transforma automaticamente em voto
Essa é a questão que as próximas pesquisas começarão a responder.
Uma direção nacional pode declarar apoio.
Governadores podem subir no palanque.
Senadores e deputados podem gravar vídeos.
Nada disso obriga o eleitor daquele partido a acompanhar a decisão.
O valor das alianças pode aparecer de outras formas.
Tempo político, estrutura municipal, militância, arrecadação, prefeitos, parlamentares e capacidade de abrir portas em regiões onde a campanha ainda possui dificuldade.
Por isso, a ampliação da coalizão importa mesmo antes de sabermos se ela altera intenção de voto.
O MDB virou a próxima fronteira
Agora as atenções se voltam para uma legenda historicamente decisiva na política brasileira.
O MDB possui alas próximas dos dois lados.
Em alguns estados, dirigentes mantêm boa relação com Lula.
Em outros, prefeitos, governadores e parlamentares se aproximaram da direita e de Flávio.
Tarcísio também participa das conversas com o partido.
A dificuldade será produzir uma decisão nacional capaz de acomodar interesses regionais completamente diferentes.
Isso pode levar o MDB a um apoio formal, a uma liberação de seus integrantes ou até a uma neutralidade que permita que cada estado escolha o próprio caminho.
A disputa vai muito além de 25 de outubro
Existe outro motivo para tantos partidos se movimentarem tão rapidamente.
Em fevereiro de 2027, Câmara e Senado escolherão seus presidentes.
O Republicanos quer preservar espaço no comando da Câmara.
O PL terá a maior bancada de deputados e uma força inédita no Senado.
PP, União Brasil, MDB e outras legendas do centro serão fundamentais em qualquer coalizão legislativa, independentemente de quem vença a Presidência.
Portanto, quando líderes partidários sentam com Flávio agora, não estão conversando apenas sobre o segundo turno.
Também estão olhando para fevereiro.
E Lula precisa reagir a esse movimento
O presidente mantém alianças importantes e uma estrutura nacional consolidada, especialmente em regiões onde seu desempenho permanece forte.
Mas o crescimento da coalizão de Flávio cria uma pressão evidente.
Lula precisa impedir que a imagem de isolamento partidário mude de lado.
Isso significa disputar MDB, setores regionais de partidos que anunciaram apoio ao adversário e lideranças que não necessariamente seguem as decisões nacionais de suas legendas.
A batalha política das próximas duas semanas acontecerá simultaneamente nas ruas e nos gabinetes.
Tarcísio saiu fortalecido dessa primeira semana
O governador paulista não é o candidato presidencial.
Mas passou a ocupar um espaço que nenhum outro aliado de Flávio ocupa com a mesma facilidade.
Transita dentro do bolsonarismo.
Conversa com empresários.
Controla o governo do maior estado do país.
Pertence ao Republicanos.
E consegue dialogar com partidos de centro que mantêm reservas em relação ao núcleo mais duro do PL.
É por isso que sua atuação merece tanta atenção quanto os apoios anunciados.
Flávio terminou domingo com mais votos que Lula, mas ainda com uma coalizão relativamente estreita. Quatro dias depois, começou a construir ao redor dessa votação uma estrutura partidária muito maior.
Agora vem o teste mais difícil.
Descobrir se essa nova maioria de dirigentes consegue produzir uma nova maioria de eleitores.