Levantamento divulgado nesta quinta-feira mostra Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos contra 47% de Lula. Além da vantagem nas intenções de voto, pesquisa revela mudança forte na expectativa de vitória e redução da rejeição ao candidato do PL depois do resultado de domingo.
A primeira fotografia do segundo turno feita pelo PoderData/Aya depois da abertura das urnas trouxe uma mudança importante no cenário presidencial.
Flávio Bolsonaro aparece com 53% dos votos válidos.
Lula tem 47%.
São seis pontos percentuais de diferença.
A pesquisa foi realizada entre segunda e quarta-feira, portanto já captando o impacto do resultado do primeiro turno, das primeiras alianças partidárias e do início da reorganização das duas campanhas.
E talvez seja exatamente aí que esteja a informação mais importante.
Não é apenas uma pesquisa mostrando Flávio numericamente à frente.
É uma pesquisa mostrando que o ambiente eleitoral se movimentou depois de domingo.
Antes da eleição estava 50 a 50
Na última rodada do próprio PoderData/Aya, realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, Lula e Flávio apareciam empatados em uma eventual disputa de segundo turno.
Considerando somente os votos válidos, cada um tinha 50%.
Depois vieram as urnas.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16%.
Uma diferença de 1,87 ponto.
Agora, poucos dias depois, o instituto encontra 53% a 47%.
Em comparação com a rodada anterior, Flávio avançou três pontos nos votos válidos e Lula recuou três.
Isso não significa que seis pontos estejam definitivamente consolidados.
Pesquisa mede aquele momento.
Mas mostra que o resultado de domingo não passou politicamente despercebido.
A urna parece ter produzido impulso
Flávio saiu do primeiro turno em primeiro lugar.
E, desde então, recebeu uma sequência de apoios.
Ronaldo Caiado aderiu à candidatura.
Romeu Zema também.
União Brasil e PP entraram.
Republicanos, com forte participação de Tarcísio de Freitas na articulação, passou para o lado de Flávio.
O Podemos também avançou na mesma direção.
Não é possível pegar a pesquisa e afirmar quanto cada um desses movimentos transferiu de votos.
Mas existe um dado que ajuda a entender o clima político pós-eleição.
Antes do primeiro turno, 48% dos entrevistados acreditavam que Lula venceria a eleição, contra 45% que apostavam em Flávio.
Agora aconteceu uma virada enorme.
54% acreditam que Flávio será o próximo presidente.
Apenas 37% apostam em Lula.
Outros 9% não sabem.
Flávio ganhou nove pontos nessa percepção.
Lula perdeu onze.
E a diferença entre eles nesse indicador foi de três pontos favoráveis a Lula para 17 pontos favoráveis a Flávio.
Isso não é intenção de voto. Mas importa
É fundamental fazer essa separação.
Perguntar em quem alguém vai votar é uma coisa.
Perguntar quem essa pessoa acha que vencerá é outra.
O eleitor pode acreditar na vitória de um candidato e votar no adversário.
Portanto, os 54% não são votos de Flávio.
Mas expectativa de vitória tem impacto sobre campanha.
Ela pode estimular militância, facilitar novas alianças, aumentar arrecadação, convencer políticos ainda indecisos a subir no palanque e produzir sensação de força.
Do outro lado, uma campanha que precisa virar uma eleição também precisa impedir que sua própria base passe a acreditar que a disputa já está perdida.
E há um detalhe interessante.
Entre quem declara ter votado em Flávio no primeiro turno, 92% acreditam que ele vencerá.
Entre os eleitores de Lula, apenas 76% acreditam na vitória do próprio candidato.
Há, portanto, uma diferença de confiança entre as duas bases.
A rejeição também virou um problema para Lula
Durante boa parte da eleição, um dos principais obstáculos de Flávio Bolsonaro era sua rejeição.
Esse número caiu.
Há uma semana, 46% afirmavam que não votariam nele de jeito nenhum.
Agora são 43%.
Uma queda de três pontos.
Lula permanece com rejeição numericamente superior: 46% dizem que não votariam nele de maneira alguma. Na rodada anterior eram 47%.
A diferença parece pequena.
Politicamente, porém, o movimento merece atenção.
Segundo turno é uma eleição de apenas duas opções.
Quando os candidatos já possuem bases muito grandes e consolidadas, a capacidade de reduzir rejeição passa a ser quase tão importante quanto ampliar apoio.
Flávio aparece nesta rodada conseguindo fazer justamente isso.
Lula ainda possui uma vantagem importante entre as mulheres
O resultado geral não significa que todos os grupos caminham na mesma direção.
Lula continua melhor entre as mulheres.
Nesse segmento, o presidente aparece com 50%, contra 42% de Flávio.
Já o candidato do PL apresenta seus melhores resultados regionais no Sul, onde chega a 58%, no Centro-Oeste, com 54%, e no Sudeste, com 51%.
Entre pessoas com ensino médio completo, Flávio registra 55%.
Esses recortes precisam ser observados com cautela porque subamostras possuem margens de erro maiores que a margem geral do levantamento.
Mesmo assim, eles indicam onde está parte da geografia eleitoral que cada campanha precisará trabalhar.
O grande problema de Lula continua sendo o governo
Há outro conjunto de números que ajuda a explicar por que o presidente enfrenta dificuldade para crescer fora de sua base.
49% desaprovam pessoalmente o trabalho de Lula.
44% aprovam.
Quando a pergunta é sobre a administração federal, 50% desaprovam e 44% aprovam.
Na avaliação geral, 46% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 37% consideram ótimo ou bom e 14% regular.
Esse é um problema estrutural para uma campanha de reeleição.
Lula não disputa apenas contra Flávio Bolsonaro.
Disputa também contra a avaliação que o eleitor faz dos quatro anos que acabou de viver.
Para virar a eleição, o presidente precisará conquistar pessoas que chegaram ao segundo turno demonstrando insatisfação com seu próprio governo.
E Flávio tem um desafio diferente
A situação de Flávio parece mais confortável nesta fotografia, mas também existe uma armadilha.
O segundo turno não terminou na segunda-feira depois da eleição.
A campanha no rádio e na televisão começa nesta sexta-feira.
Haverá debates.
Novas pesquisas.
Ataques.
Discussões sobre economia, segurança, STF, Jair Bolsonaro, Banco Master, escala 6×1 e outros temas que as campanhas colocarão no centro da disputa.
Além disso, milhões de brasileiros que escolheram Cury, Renan Santos, Caiado, Zema e outros candidatos ainda precisarão decidir o que fazer.
E apoio de candidato eliminado não significa transferência automática de eleitor.
Flávio precisa transformar o ambiente favorável desta semana em voto consolidado até o dia 25.
O número mais perigoso para Lula talvez nem seja 53%
O resultado principal chama atenção.
Mas o dado que deveria preocupar mais a campanha petista pode ser aquele dos 54% que acreditam na vitória de Flávio.
Porque uma eleição apertada também é uma batalha de percepção.
No primeiro turno, Lula entrou na reta final de várias pesquisas aparecendo numericamente à frente.
Quando as urnas abriram, Flávio terminou na primeira posição.
Esse resultado parece ter alterado a maneira como parte do eleitorado enxerga a disputa.
Agora Lula precisa fazer duas viradas ao mesmo tempo.
Uma no voto.
Outra na sensação de quem está comandando a eleição.
Ainda teremos outras fotografias
O PoderData/Aya é apenas a primeira grande pesquisa nacional dessa nova etapa.
Outros institutos também entram em campo, com metodologias diferentes.
Por isso, será importante observar se os próximos levantamentos confirmarão a mesma direção ou apresentarão um cenário diferente.
Uma pesquisa isolada não determina tendência.
Muito menos resultado eleitoral.
Mas esta primeira fotografia traz uma mensagem clara sobre os primeiros dias depois do domingo.
Flávio não apenas saiu do primeiro turno numericamente na frente. Segundo o PoderData/Aya, conseguiu ampliar essa vantagem no início do segundo turno e, ao mesmo tempo, melhorar dois indicadores fundamentais: rejeição e expectativa de vitória.
Lula ainda tem mais de duas semanas para reagir.
Mas a primeira pesquisa pós-urna mostra que essa reação precisará começar com a campanha reconhecendo uma realidade simples:
o segundo turno não recomeçou do zero.
O resultado de domingo entrou na campanha.
E, pelo menos nesta primeira medição, entrou beneficiando Flávio Bolsonaro.
Pesquisa PoderData/Aya. 3.000 entrevistas realizadas entre 5 e 7 de outubro de 2026 em 705 municípios das 27 unidades da Federação. Entrevistas por telefone. Margem de erro de 1,8 ponto percentual, nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-08134/2026.